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V domingo do tempo comum



A liturgia da palavra do quinto domingo comum reserva-nos um profundo ensinamento sobre a missão e a resposta ao chamamento de Deus que os discípulos devem dar. Celebra a vocação profética e missionária, com todas as suas alegrias e exigências.
Logo na primeira leitura, o profeta Isaías descreve o seu envio em missão. Este relato marca o início do chamado primeiro Isaías, ou o “livro do Emanuel”. Ele apresenta duas partes muito bem definidas. A primeira é uma epifania, ou seja, a manifestação de Deus ao profeta. Isaías tem uma forte experiência de Deus. A visão descrita ocorre no templo, durante uma liturgia e mostra que Deus é Santo e Senhor da História. Ele derrama a sua glória sobre o mundo, santificando todo o povo.
A segunda parte é a consagração do profeta. Isaías é purificado de seus pecados e já não se sente limitado para a missão, para desenvolver a actividade profética.
O texto de Isaías faz-nos reflectir sobre diversas questões, mas a principal deve ser o modo como a nossa liturgia hoje é vivida. Será que as nossas celebrações revelam a presença e grandeza de Deus? Conseguimos encher-nos, sermos invadidos, pela santidade de Deus, sendo impulsionados para o testemunho e a missão?
A segunda leitura, da carta aos Coríntios, continua a desenvolver os temas da missão e da vocação. Agora é a vez de Paulo dar o seu testemunho. O texto que hoje lemos é um resumo da pregação de Paulo, do evangelho que ele anuncia. É o conteúdo central da nossa fé, o chamado kerigma, ou anúncio fundamental que foi transmitido pelos primeiros discípulos e tornou-se a profissão de fé de todos os cristãos.
O centro de tudo é a ressurreição. «Cristo morreu pelos nossos pecados», afirma a leitura. «Cristo ressuscitou, aparecendo a diversos discípulos». O tema da ressurreição era bastante controverso naquele tempo. Alguns acreditavam, outros criticavam. O testemunho dos discípulos é assim fundamental para reforçar a ressurreição de Cristo. Paulo narra diversas aparições, inclusive uma aparição a 500 pessoas, provavelmente na Galileia, que não é descrita nos evangelhos. Por fim Paulo diz que Cristo apareceu também a ele, por isso ele é verdadeiro apóstolo. Paulo foi chamado pelo Mestre para a missão, foi revestido da graça, recebeu o evangelho como revelação, por isso é verdadeiro apóstolo, como os Doze. Vemos assim o chamamento e a resposta de Paulo, cumprindo a sua missão.
No evangelho é a vez dos primeiros apóstolos serem apresentados. Ali vemos o chamamento e a vocação de Pedro, Tiago e João. Quando pregava no lago de Genesaré, Jesus subiu no barco de Pedro e lançou-lhe um desafio: lançai as redes. Pedro, já cansado pelo dia de faina sem resultado, receia a instrução, mas obedece. Pedro confia na palavra de Jesus, ouve o Mestre. O resultado é uma pesca farta. A primeira reacção do discípulo é ouvir o Mestre, por isso Jesus dá o passo seguinte e chama os pescadores para se tornarem pescadores de homens. Inicia-se aqui uma nova fase na missão de Jesus. Até agora ele agiu sozinho. De agora em diante recebe ajuda. Ajuda que é exigida de nós hoje. A nossa missão é a mesma dos discípulos, ou seja, ser um prolongamento da missão de Jesus. Se confiarmos em Deus, temos o poder de mudar a situação social, como Jesus mudou a situação daquele grupo de pescadores.
A fé significa experiência ou encontro com Cristo e comunicação desta experiência. Como vimos nos relatos das vocações de Isaías, Paulo, Pedro, Tiago e João, para ser missionário é preciso ouvir a Deus, e agir, responder com convicção. O Senhor repete muitas vezes a pergunta: «quem enviarei?». Através do baptismo, cada um de nós cristão é também convidado à missão de evangelizar e construir um mundo melhor. Por isso devemos responder: «Eis-me aqui: podeis enviar-me». O conteúdo da nossa pregação é simples: dar testemunho de Cristo ressuscitado e transformar a sua palavra em acção, em resposta aos problemas da sociedade actual.

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