Na edição anterior discutíamos aqui se o ambiente de cibercultura é também um espaço sagrado, que possibilita o encontro com Deus. Descobrimos que sim. Hoje gostava de propor um novo passo na discussão: o que existe de concreto e como os católicos e a Igreja em especial interagem neste meio?
A Igreja Católica ainda engatinha na cibercultura, mas já tomou consciência de que esta é a tendência actual e que é de fundamental importância se adequar à nova cultura. Igino Domanin afirma: “Em breve nascerá um novo tipo de ‘Igreja’, emanação virtual daquela tradicional, geográfica e temporalmente deslocada, mas não por isso menos eficaz na sua acção evangelizadora”.
Os textos oficiais mostram o interesse da Igreja em reflectir sobre o tema. Em 2002, em sua mensagem para o Dia Mundial da Comunicação, o papa João Paulo II afirmou: “o novo mundo do espaço cibernético é uma exortação à grande aventura da utilização de seu potencial para proclamar a mensagem evangélica. Este desafio está no centro do que significa, no início do milénio, seguir o mandato do Senhor para “avançar”: Duc in altum! (Lc 5,4). ... A Internet pode oferecer magníficas oportunidades de evangelização, se usada com competência e clara consciência de suas forças e fraquezas”.
Actualmente há diversos sites que têm a fé como seu centro e o objectivo de se oporem aos sites que promovem o ódio, a banalidade, a pornografia etc. O portal do Vaticano (www.vatican.va) é uma tentativa da Igreja de se inserir neste universo, mas mostra-se carregado de uma mentalidade não virtual. O site só serve para conhecer a Igreja católica, expõe a autoridade e a potência da Igreja, mas não atrai, não serve para evangelizar e converter. Não há interacção, não soube criar uma verdadeira “igreja virtual”, um novo ambiente de encontro com Deus e com a comunidade cristã.
Os sites que parecem ter mais sucesso e abertura são os “não oficiais”, sites pessoais e de institutos religiosos; e os newsgroups e grupos de relacionamento, que reflectem sobre a fé e a religião com sinceridade e profundidade e principalmente porque são uma forma de as pessoas interessadas na fé manterem contacto umas com as outras e trocarem experiência. Um fenómeno que tem contribuído para isso são as redes de relacionamento, como Orkut, Sonico, Hi5, Unik etc., além dos blogs é claro, sempre muito abertos e participativos. Confira, por exemplo, o portal Cristo Jovem (www.cristojovem.com) e e o da Família Cristã (www.familiacrista.com).
Um caminho muito promissor na cultura do virtual é a orientação espiritual. Alguns exemplos ficaram mundialmente famosos, como os Padres Online (www.pretionline.it) e a diocese virtual Partenia (www.partenia.org), que se apresenta como “uma extensa diocese sem fronteiras onde o sol nunca se põe”. Nesta mesma linha existe também a Ciberiglesia, criada por Juan Yzuel, e os santuários virtuais (www.fatimavirtual.com, www.santuario-fatima.pt e www.santuarionacional.com). Mas o que realmente faz a diferença são os programas de conversação em tempo real, tais como chats e messengers. Esses programas permitem uma conversa afectiva, directa, de fundamental ajuda para muitas pessoas.
O objectivo de todos esses recursos e sites, no entanto, é anunciar o evangelho. Isso implica em ser um local de encontro; suscitar a solidariedade; apoiar a inculturação mediante o diálogo respeitoso com os povos e com a própria cibercultura; colaborar no diálogo interreligioso; oferecer um serviço de orientação pastoral e espiritual; apoiar o trabalho dos agentes de pastoral e catequistas oferecendo formação, subsídios e recursos pastorais; criar consciência para as necessidades do povo e dos cibernautas; animar a vivência comprometida da fé no seio de uma comunidade cristã.
A comunidade religiosa tem a necessidade de se fazer presente no mundo virtual, apropriando-se dos instrumentos interactivos típicos da cibercultura, a fim de criar novas maneiras de encontro com Deus e de manifestação da fé. De criar novas formas de contacto com a Palavra de Deus e com o seu projecto salvífico. Quando houver uma forma digital da Igreja católica pronta para acolher o homem contemporâneo e disposta a apresentar-lhe uma novidade, o ser humano (cristão ou não-cristão) mergulhará na nova cultura com grandes possibilidades de encontrar algo que dê sentido à sua vida e incentive uma nova forma de viver sua fé.
O exemplo de são Paulo é grande fonte de inspiração, pois o apóstolo dos gentios, com a evangelização por cartas, abriu um novo caminho. Depois das cartas paulinas, a imprensa serviu enormemente para a difusão universal e rápida da boa-nova, e hoje temos um meio ainda mais eficaz, que é o ciberespaço, e não podemos desperdiçar o seu auxílio. Paulo é-nos incentivo para mergulhar plenamente neste universo pois comprovou que novos meios são eficazes para promover a fé e a vida cristã e para a formação, estruturação e sustentação de novas comunidades.
Se tu conheces uma forma interessante de evangelização ou contribui com alguma forma de promoção da fé na cibercultura, comenta o artigo e fale sobre a sua experiência.
Frei Darlei Zanon, para a revista O Cooperador Paulino e Revista On Line
A Igreja Católica ainda engatinha na cibercultura, mas já tomou consciência de que esta é a tendência actual e que é de fundamental importância se adequar à nova cultura. Igino Domanin afirma: “Em breve nascerá um novo tipo de ‘Igreja’, emanação virtual daquela tradicional, geográfica e temporalmente deslocada, mas não por isso menos eficaz na sua acção evangelizadora”.
Os textos oficiais mostram o interesse da Igreja em reflectir sobre o tema. Em 2002, em sua mensagem para o Dia Mundial da Comunicação, o papa João Paulo II afirmou: “o novo mundo do espaço cibernético é uma exortação à grande aventura da utilização de seu potencial para proclamar a mensagem evangélica. Este desafio está no centro do que significa, no início do milénio, seguir o mandato do Senhor para “avançar”: Duc in altum! (Lc 5,4). ... A Internet pode oferecer magníficas oportunidades de evangelização, se usada com competência e clara consciência de suas forças e fraquezas”.
Actualmente há diversos sites que têm a fé como seu centro e o objectivo de se oporem aos sites que promovem o ódio, a banalidade, a pornografia etc. O portal do Vaticano (www.vatican.va) é uma tentativa da Igreja de se inserir neste universo, mas mostra-se carregado de uma mentalidade não virtual. O site só serve para conhecer a Igreja católica, expõe a autoridade e a potência da Igreja, mas não atrai, não serve para evangelizar e converter. Não há interacção, não soube criar uma verdadeira “igreja virtual”, um novo ambiente de encontro com Deus e com a comunidade cristã.
Os sites que parecem ter mais sucesso e abertura são os “não oficiais”, sites pessoais e de institutos religiosos; e os newsgroups e grupos de relacionamento, que reflectem sobre a fé e a religião com sinceridade e profundidade e principalmente porque são uma forma de as pessoas interessadas na fé manterem contacto umas com as outras e trocarem experiência. Um fenómeno que tem contribuído para isso são as redes de relacionamento, como Orkut, Sonico, Hi5, Unik etc., além dos blogs é claro, sempre muito abertos e participativos. Confira, por exemplo, o portal Cristo Jovem (www.cristojovem.com) e e o da Família Cristã (www.familiacrista.com).
Um caminho muito promissor na cultura do virtual é a orientação espiritual. Alguns exemplos ficaram mundialmente famosos, como os Padres Online (www.pretionline.it) e a diocese virtual Partenia (www.partenia.org), que se apresenta como “uma extensa diocese sem fronteiras onde o sol nunca se põe”. Nesta mesma linha existe também a Ciberiglesia, criada por Juan Yzuel, e os santuários virtuais (www.fatimavirtual.com, www.santuario-fatima.pt e www.santuarionacional.com). Mas o que realmente faz a diferença são os programas de conversação em tempo real, tais como chats e messengers. Esses programas permitem uma conversa afectiva, directa, de fundamental ajuda para muitas pessoas.
O objectivo de todos esses recursos e sites, no entanto, é anunciar o evangelho. Isso implica em ser um local de encontro; suscitar a solidariedade; apoiar a inculturação mediante o diálogo respeitoso com os povos e com a própria cibercultura; colaborar no diálogo interreligioso; oferecer um serviço de orientação pastoral e espiritual; apoiar o trabalho dos agentes de pastoral e catequistas oferecendo formação, subsídios e recursos pastorais; criar consciência para as necessidades do povo e dos cibernautas; animar a vivência comprometida da fé no seio de uma comunidade cristã.
A comunidade religiosa tem a necessidade de se fazer presente no mundo virtual, apropriando-se dos instrumentos interactivos típicos da cibercultura, a fim de criar novas maneiras de encontro com Deus e de manifestação da fé. De criar novas formas de contacto com a Palavra de Deus e com o seu projecto salvífico. Quando houver uma forma digital da Igreja católica pronta para acolher o homem contemporâneo e disposta a apresentar-lhe uma novidade, o ser humano (cristão ou não-cristão) mergulhará na nova cultura com grandes possibilidades de encontrar algo que dê sentido à sua vida e incentive uma nova forma de viver sua fé.
O exemplo de são Paulo é grande fonte de inspiração, pois o apóstolo dos gentios, com a evangelização por cartas, abriu um novo caminho. Depois das cartas paulinas, a imprensa serviu enormemente para a difusão universal e rápida da boa-nova, e hoje temos um meio ainda mais eficaz, que é o ciberespaço, e não podemos desperdiçar o seu auxílio. Paulo é-nos incentivo para mergulhar plenamente neste universo pois comprovou que novos meios são eficazes para promover a fé e a vida cristã e para a formação, estruturação e sustentação de novas comunidades.
Se tu conheces uma forma interessante de evangelização ou contribui com alguma forma de promoção da fé na cibercultura, comenta o artigo e fale sobre a sua experiência.
Frei Darlei Zanon, para a revista O Cooperador Paulino e Revista On Line
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