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Carismas a serviço da Igreja



Maio é o mês mariano por excelência. Nossa atenção está voltada sobretudo para a Mãe e Rainha, sinal de acolhida, de encontro, de fé e de amor. Entretanto neste mês de Maria o Papa Francisco também nos convida a direcionar nossa atenção e orações para os diversos movimentos e grupos eclesiais, que simbolicamente podem ser vistos como este grande manto de Maria que, em nome do Filho Jesus, se abre para acolher, proteger e unir todos seus filhos. A intenção de oração de maio, apresentada pelo Papa Francisco no seu recente vídeo do mês, convida-nos a rezar “para que os movimentos e grupos eclesiais redescubram cada dia a sua missão evangelizadora, pondo os próprios carismas a serviço das necessidades do mundo”.

A serviço”, enfatiza o Papa. De fato, cada movimento é independente, mas estão todos a serviço da Igreja, ou seja, devem trabalhar em harmonia e unidade com os bispos e as paróquias. É essa característica de serviço que mantém o dinamismo da missão dos movimentos eclesiais, que os mantém abertos para o mundo e não fechados em si mesmos. Não por acaso são chamados de “movimentos”, ou seja, devem estar sempre a caminho, sempre em ação, sempre em “movimento”, cheios de energia. Quando um movimento ou grupo eclesial perde a dimensão do serviço, quando se fecha num mundo próprio, sentindo-se um grupo de “privilegiados” ou “escolhidos”, acaba por cair na tentação da autorreferencialidade, e neste momento se distancia do Evangelho, que é sobretudo comunhão. 

Os movimentos são um dom, uma riqueza, recorda o Papa Francisco, pois eles “renovam a Igreja com a sua capacidade de diálogo a serviço da missão evangelizadora”. A maior riqueza é a variedade de carismas, a multiplicidade de linguagens que falam, dando voz, ou melhor, “encarnando” o Evangelho nas mais variadas culturas e realidades, respondendo assim a questões concretas do mundo e da missão. No vídeo do Papa estão representados alguns destes movimentos e seu dinamismo, desde escoteiros portugueses em peregrinação com a cruz da JMJ aos missionários Shalom em Madagascar, envolvendo neocatecumenais dos EUA, alguns membros da comunidade Santo Egídio na Líbia e dos Focolarinos na Ásia, além do movimento Novos Horizontes com famílias de favelas brasileiras e a Comunidade Papa João XXIII com famílias no Quênia. Enorme riqueza e variedade, que nos alegra e faz recordar de tantos outros movimentos e carismas que colaboram na proclamação do Evangelho. Muitos dos quais estão presentes na nossa paróquia ou talvez dos quais nós mesmos façamos parte.

Outra dimensão recordada pelo Papa é a criatividade, elemento que caracteriza e diferencia os movimentos e grupos eclesiais juntamente com a diversidade e unidade de carismas. Cada um com seu estilo, com sua particularidade, com seu modo de agir e de propagar a fé, mas sempre unidos pelo Espírito e pelo desejo de colaborar com a edificação do Reino no mundo. Ao mesmo tempo que rezamos para que os inúmeros movimentos e grupos presentes na Igreja redescubram continuamente o próprio carisma, evoluindo constantemente na sua missão, somos convidados a conhecer novos movimentos para buscar colaborar direta ou indiretamente com eles no processo de evangelização e assistência. Quem sabe, na nossa paróquia ou comunidade, podemos ao longo deste mês de maio procurar criar momentos de partilha para conhecer os movimentos, sua história, seu carisma e as suas ações concretas na Igreja. O Papa ficaria contente com este gesto de comunhão e sinodalidade!

* Fr. Darlei Zanon, religioso paulino

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