
A cibercultura possui uma estrutura bastante particular, como vimos em artigos anteriores publicados neste mesmo espaço. Uma das suas principais características é não aceitar absolutismos. O valor mais forte na cibercultura é a liberdade. Liberdade de escolha, liberdade de pensamento, liberdade de acção. Ninguém se guia por normas autoritárias e inquestionáveis. Daí a origem de uma grande dificuldade de relacionamento entre a Igreja e a cibercultura.
Escritura e Tradição, as principais fontes da fé cristã, são abaladas pela cibercultura. Diversos livros “sagrados” ocupam o mesmo espaço que a Bíblia e todos disputam com idéias não-religiosas, que muitas vezes são postas em pé de igualdade. A Escritura não é aceita como verdade absoluta, inquestionável. A verdade revelada entra em choque com a liberdade de opinião da cibercultura, assim como a autoridade da Igreja na interpretação agride a subjectividade contemporânea. Igualmente a proposta universal da Bíblia exerce certa resistência sobre o ser humano que deseja a interactividade e o particularismo. As meta-narrativas não têm espaço na cibercultura. O cristianismo, e diversas outras religiões, só se tornaram universais através de seu livro sagrado (Bíblia, Torá, Al Corão etc.), mas a cibercultura não aceita mais este modelo de revelação.
O novo modo de pensar, não linear, modelo do hipertexto, também rejeita o modo como a Bíblia é lida e interpretada pela comunidade cristã. A forma como se apresenta a Palavra de Deus deve ser repensada e redimensionada para responder às exigências da cibercultura. A essência da mensagem bíblica é válida para todos os tempos e lugares, mesmo onde o espaço e o tempo são relativos, mas a sua interpretação e apresentação devem se adaptar conforme o contexto cultural.
À Tradição se fazem as mesmas críticas e resistências. A autoridade moral e intelectual conquistada pela Tradição não significa praticamente nada para o cibernauta. O passado não é modelo para o presente, por isso não tem sentido buscar na Tradição parâmetros para o hoje. O respeito ao passado, à Tradição, não existe mais, por se negar toda espécie de totalitarismo e de absolutismo. Como este é um dos pilares que sustenta a fé, vemos aí uma ameaça que deve ser respondida seguindo-se o mesmo caminho da Escritura: mostrar o verdadeiro sentido da Tradição como um apoio, um conjunto de experiências que alimenta a fé e dá conteúdo à vida cristã.
Por outro lado, a cibercultura oferece muitas oportunidades novas para a evangelização e para a acção eclesial. Na mensagem para o Dia Mundial da Comunicação de 2002, o papa João Paulo II destacou muito bem que a Internet é um novo foro, local público para discussões e vida social, aberto inclusive para a evangelização. Todas estas possibilidades causam um impacto positivo sobre a fé cristã, pois oferecem uma gama enorme de novos caminhos para a difusão da mensagem cristã. O ciberespaço é um grande campo a ser desbravado por missionários virtuais que se disponham a inculturar-se. O trabalho é certamente difícil, não menor que as grandes missões do passado.
A acção eclesial é muito favorecida na cultura do virtual. A evangelização, a pastoral, a catequese, a orientação espiritual são imensamente privilegiadas pelos meios técnicos oferecidos. Basta ter um programa coerente e sábio que muitos frutos serão gerados (“cem por um”). Novas oportunidades pastorais se apresentam fundamentadas na interactividade e na inexistência das distâncias. Mas será preciso saber responder às angústias do internauta, e para tal é necessário fazer parte do mesmo universo que ele. Com um bom programa pastoral a Igreja atrairá o internauta e criará um ambiente que favorece a vivência da fé.
Igualmente a catequese torna-se muito mais atractiva e cativante ao utilizar-se dos meios virtuais. A catequese e pastoral que não utilizar deste meio está a perder uma grande oportunidade, pois esta cultura é a porta que põe a nova geração em contacto com o mundo e por isso também com a fé. O jovem está crescendo neste universo cultural, e não aceitará os antigos modelos de educação da Igreja. A relação com o saber mudou, e a Igreja deve estar atenta a isso ao apresentar a fé à nova geração.
A orientação espiritual, como acenamos em um artigo anterior, é um dos pontos mais desenvolvidos da ciberigreja. Os chats, os newsgroups e os sites especialmente dedicados a este fim são acedidos diariamente e oferecem muitos serviços. A evangelização, no entanto, é a acção mais favorecida pela cibercultura. A rede (recordemos da metáfora da rede no novo testamento) é um magnífico meio de evangelização.
A missão primordial da Igreja é evangelizar, “pregar o evangelho a todas as criaturas” (Mc 16,15). Desde o Pentecostes a comunidade cristã utilizou de todos os meios disponíveis para pregar a boa-nova de Cristo, levando a mensagem de amor a toda a humanidade. Assim como em outras épocas os missionários serviram-se de todos os meios para evangelizar, nós, no nosso tempo, temos como que obrigação usar o ciberespaço para pregar o evangelho e propor a fé cristã como um compromisso de vida.
Escritura e Tradição, as principais fontes da fé cristã, são abaladas pela cibercultura. Diversos livros “sagrados” ocupam o mesmo espaço que a Bíblia e todos disputam com idéias não-religiosas, que muitas vezes são postas em pé de igualdade. A Escritura não é aceita como verdade absoluta, inquestionável. A verdade revelada entra em choque com a liberdade de opinião da cibercultura, assim como a autoridade da Igreja na interpretação agride a subjectividade contemporânea. Igualmente a proposta universal da Bíblia exerce certa resistência sobre o ser humano que deseja a interactividade e o particularismo. As meta-narrativas não têm espaço na cibercultura. O cristianismo, e diversas outras religiões, só se tornaram universais através de seu livro sagrado (Bíblia, Torá, Al Corão etc.), mas a cibercultura não aceita mais este modelo de revelação.
O novo modo de pensar, não linear, modelo do hipertexto, também rejeita o modo como a Bíblia é lida e interpretada pela comunidade cristã. A forma como se apresenta a Palavra de Deus deve ser repensada e redimensionada para responder às exigências da cibercultura. A essência da mensagem bíblica é válida para todos os tempos e lugares, mesmo onde o espaço e o tempo são relativos, mas a sua interpretação e apresentação devem se adaptar conforme o contexto cultural.
À Tradição se fazem as mesmas críticas e resistências. A autoridade moral e intelectual conquistada pela Tradição não significa praticamente nada para o cibernauta. O passado não é modelo para o presente, por isso não tem sentido buscar na Tradição parâmetros para o hoje. O respeito ao passado, à Tradição, não existe mais, por se negar toda espécie de totalitarismo e de absolutismo. Como este é um dos pilares que sustenta a fé, vemos aí uma ameaça que deve ser respondida seguindo-se o mesmo caminho da Escritura: mostrar o verdadeiro sentido da Tradição como um apoio, um conjunto de experiências que alimenta a fé e dá conteúdo à vida cristã.
Por outro lado, a cibercultura oferece muitas oportunidades novas para a evangelização e para a acção eclesial. Na mensagem para o Dia Mundial da Comunicação de 2002, o papa João Paulo II destacou muito bem que a Internet é um novo foro, local público para discussões e vida social, aberto inclusive para a evangelização. Todas estas possibilidades causam um impacto positivo sobre a fé cristã, pois oferecem uma gama enorme de novos caminhos para a difusão da mensagem cristã. O ciberespaço é um grande campo a ser desbravado por missionários virtuais que se disponham a inculturar-se. O trabalho é certamente difícil, não menor que as grandes missões do passado.
A acção eclesial é muito favorecida na cultura do virtual. A evangelização, a pastoral, a catequese, a orientação espiritual são imensamente privilegiadas pelos meios técnicos oferecidos. Basta ter um programa coerente e sábio que muitos frutos serão gerados (“cem por um”). Novas oportunidades pastorais se apresentam fundamentadas na interactividade e na inexistência das distâncias. Mas será preciso saber responder às angústias do internauta, e para tal é necessário fazer parte do mesmo universo que ele. Com um bom programa pastoral a Igreja atrairá o internauta e criará um ambiente que favorece a vivência da fé.
Igualmente a catequese torna-se muito mais atractiva e cativante ao utilizar-se dos meios virtuais. A catequese e pastoral que não utilizar deste meio está a perder uma grande oportunidade, pois esta cultura é a porta que põe a nova geração em contacto com o mundo e por isso também com a fé. O jovem está crescendo neste universo cultural, e não aceitará os antigos modelos de educação da Igreja. A relação com o saber mudou, e a Igreja deve estar atenta a isso ao apresentar a fé à nova geração.
A orientação espiritual, como acenamos em um artigo anterior, é um dos pontos mais desenvolvidos da ciberigreja. Os chats, os newsgroups e os sites especialmente dedicados a este fim são acedidos diariamente e oferecem muitos serviços. A evangelização, no entanto, é a acção mais favorecida pela cibercultura. A rede (recordemos da metáfora da rede no novo testamento) é um magnífico meio de evangelização.
A missão primordial da Igreja é evangelizar, “pregar o evangelho a todas as criaturas” (Mc 16,15). Desde o Pentecostes a comunidade cristã utilizou de todos os meios disponíveis para pregar a boa-nova de Cristo, levando a mensagem de amor a toda a humanidade. Assim como em outras épocas os missionários serviram-se de todos os meios para evangelizar, nós, no nosso tempo, temos como que obrigação usar o ciberespaço para pregar o evangelho e propor a fé cristã como um compromisso de vida.
Publicado na revista O Cooperador Paulino e na Revista OnLine
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