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Mensagens

De “potenciais” a “verdadeiras comunidades “: 53º Dia Mundial das Comunicações

Confesso que a princípio, após uma leitura rápida e superficial da mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações deste ano, fiquei um pouco decepcionado, porque parecia ser um conteúdo que não dava continuidade ao caminho feito pela Igreja no que diz respeito à comunicação, especialmente em relação à comunicação digital em rede. Esta última mensagem não parecia dar continuidade às mensagens de Bento XVI e às primeiras mensagens do próprio Papa Francisco, que sempre se expressaram com uma visão positiva da internet, convidando a uma presença ativa nas redes sociais. Naquela primeira leitura, pareceu-me um discurso distante também da visão atual da comunicação que se torna “ambiência”, condição habitativa, e de conceitos como  sociedade em rede e  onlife , este neologismo que indica a indissociabilidade entre online e offline, a fusão entre analógico e digital, entre presencial e virtual, superando o dualismo digital. Quando, porém, procurei aprofundar a mensagem ...

Solidários na dor

Neste mês de fevereiro o Papa Francisco nos confia uma intenção de oração muito particular e delicada: “Pelo acolhimento generoso das vítimas do tráfico de pessoas, da prostituição forçada e da violência.” Delicada porque estamos falando de pessoas que sofreram agressões muito pesadas, foram feridas profundamente na sua dignidade, sendo tolhidas a sua liberdade e a sacralidade do seu corpo.  Estamos falando de vítimas de crimes hediondos, situações que o Papa tem constantemente denunciado e combatido pois sabe que são realidades universais, com casos registados em todos os países do mundo. Mesmo na Europa, apesar de todos os mecanismos criados para a segurança e controlo, especialmente depois da Convenção de Varsóvia (2005), o tráfico de pessoas tem crescido. Em geral provenientes de países pobres ou de situação de grande pobreza, o tráfico de seres humanos pode ser para fim de exploração sexual, exploração laboral, extração de órgãos, mendicidade ou pequenos crimes. São mu...

Jovens evangelizadores

Nos próximo dias 22 a 27 de janeiro, a Cidade do Panamá acolhe a Jornada Mundial da Juventude, ocasião propícia para jovens do mundo todo se encontrarem e viverem juntos a alegria do evangelho, da fé, da vida cristã. Em sintonia com este grande evento eclesial, o Papa Francisco nos pede para durante este mês rezar “pelos jovens, especialmente os da América Latina, para que, seguindo o exemplo de Maria, respondam ao chamamento do Senhor para comunicar ao mundo a alegria do Evangelho.” Participar de uma Jornada Mundial da Juventude é uma ocasião única, um momento muito especial. Ali se faz uma verdadeira experiência de unidade cristã, onde todos os povos se reúnem em torno de uma só fé, um só Senhor, um só ideal, um só sentido de vida. São muitos os eventos que ocorrem simultaneamente, agradando todos os públicos. Muitos são os momentos de oração e de partilha da vida.  Cada jovem certamente tem o seu programa estabelecido com antecedência, de acordo com as suas preferência...

Onde está a minha alegria?

Aproximamo-nos da  celebração do Natal do Senhor, um tempo de grande festa e alegria. Nosso coração deve preparar-se para bem acolher o menino, e é exatamente isso o que a liturgia do Advento nos pede. Neste terceiro domingo do advento, somos convidados a meditar sobre duas perguntas fundamentais: onde está a nossa alegria? e: o que devo fazer? Somos convidados a manifestar a nossa alegria, pois Deus está conosco. Esta é a mensagem da primeira leitura, do livro de Sofonias. Se Deus está no meio do povo, não há o que temer, afirma o profeta. Deus enche-nos de júbilo e de alegria, pois nos renova com o seu amor. O texto que lemos de Sofonias é um trecho acrescentado no período do pós-exílio. Ao voltar da Babilónia, o povo estava muito feliz e sentia fortemente a presença de Deus no seu meio. Foi Deus quem os libertou e possibilitou o início de um novo tempo. O natal é também o símbolo de um recomeço, sinal de que Deus está no mundo, age no mundo, está entre nós, e quer constr...

Interconectividade na migração

Vivendo em Roma nos últimos três anos, pude acompanhar de perto a dolorosa saga de milhares de imigrantes e refugiados, que chegam quase diariamente na Europa em busca de uma vida nova. Em geral fogem de guerras, de perseguições étnicas e religiosas, da pobreza extrema, da fome, do abandono humanitário, arriscando a própria vida numa viagem cheia de esperanças, mas com pouquíssimas garantias. Ao chegar na Europa – e o mesmo acontece em todas as outras realidades, como nos EUA ou no Brasil –, são hostilizados, repudiados, oprimidos, vítimas de muitos preconceitos e  fake news .  Um dos pontos de maior crítica surge ao fato de que, se são “refugiados”, não poderiam trazer consigo um smartphone, muitas vezes de última tecnologia. E aqui entramos no nosso tema. O que você pensaria ao ver um migrante com um iPhone na mão, por exemplo? Provavelmente a primeira reação seria afirmar que ele é um oportunista, que não precisa da mesma assistência ou caridade da maioria dos migrant...

Superar a rotina!

Chegámos ao final de mais um ano. Muitas vezes, somos envolvidos pela rotina e nem vemos o tempo passa. Temos a sensação de que só coisas regulares ocorrem na nossa vida. Entretanto, tenho a certeza de que ao longo deste ano muitas coisas boas aconteceram e encheram a sua vida de sentido. Tantos aniversários, jubileus, festas, pessoas que conheceu ou encontrou. Talvez algum casamento na família, o nascimento de um bebé, um batismo ou uma primeira comunhão. Enfim, se fizermos um esforço de memória certamente recordaremos de imensos momentos fortes e felizes ao longo deste ano.  O mesmo sucede com a liturgia e a vivência da fé. Ao longo do Ano Litúrgico, por vezes temos a sensação de entrar em uma rotina, uma repetição de ritos e fórmulas. Muitas pessoas dizem que não vão com frequência à igreja porque é monótono, ou enfadonho. Uma coisa é certa, se a missa ou a oração é triste ou lhe aborrece, alguma coisa está errada... com a celebração ou no seu interior. Se não encontro s...

Celebrar a vida!

Novembro é um mês para celebrar a vida, recordando o testemunho deixado por todos os santos e os nossos entes queridos que já partiram para junto de Deus. Celebrar a vida é sobretudo renunciar à morte e à força do mal, como a violência e as guerras. Exatamente por isso  o Papa Francisco nos pede para rezar pela paz e pelo diálogo constante. Rezar “para que a linguagem do coração e do diálogo prevaleça sempre sobre a linguagem das armas”. Anualmente o Institute for Economics & Peace publica um relatório sobre o “Índice global da paz”. Entristece-nos enormemente constatar que, segundo  o relatório deste ano 2018 (que pode ser consultado no site www.economicsandpeace.org),  nos último 10 anos a violência e os mortos em guerras aumentaram 264% no mundo. Dos 163 países pesquisados, 92 pioraram os seus índices, mais da metade. A Síria, o Afeganistão, o Sudão do Sul, o Iraque e a Somália são os cinco países com maiores problemas de conflito armado.   Mesmo se ...