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Pela fé dos jovens



De modo sempre muito iluminado e assertivo, o Papa Francisco apresenta também para este mês de maio uma intenção de oração atual e importante. Propõe-nos rezar pelos jovens, chamados a viver plenamente. E o Sumo Pontífice vai além, apresentando aos jovens um grande modelo de vida em plenitude: Maria, a Mãe de Deus e nossa. Exorta os jovens a descobrirem em Maria “o estilo da escuta, a profundidade do discernimento, a coragem da fé e a dedicação ao serviço”. 

Maio é tradicionalmente o mês dedicado a Maria, a jovem filha de Joaquim e Ana, esposa de José. À primeira vista uma mulher comum, como qualquer outra do seu tempo. Seguidora dos mandamentos judaicos e dotada de diversas qualidades, fiel à tradição e à sua cultura. Mas certo dia essa adolescente moradora de Nazaré recebeu a visita de um anjo (cf. Lc 1,26-33). Através da sua resposta – «Eis a escrava do Senhor. Faça-se em Mim segundo a tua palavra» (Lc 1,38) – Maria disse sim ao projeto proposto por Deus, para ela própria e para a humanidade. Através do seu “sim” a jovem simples de Nazaré tornou-se modelo de escuta, de discernimento, de coragem, de fé, de doação, de seguimento, de serviço, de amor a Deus e ao próximo... e de tantas coisas mais que seria difícil enumerar. Exatamente por isso ela é apresentada pelo Papa Francisco como modelo, sobretudo para os jovens hoje. 

A relação de Maria com o seu filho Jesus, nosso Senhor e Salvador, sempre foi recordada e saudada por todos os seguidores do Filho de Deus. Maria engravidou, deu à luz o Menino, protegeu-o dos perigos do mundo, educou-o na fé e na tradição. Durante o ministério público de Jesus, a realização da sua missão no mundo, Maria esteve sempre ao seu lado, como mostra a Bíblia, das Bodas de Caná (Jo 2,1-12) até o Calvário (Jo 19,26-27). Por essa relação com Jesus, que pela sua morte redimiu a natureza humana, tornando-nos dignos da herança do Reino e por consequência dignos da filiação divina, Maria tornou-se também Mãe de todos nós. Ela, que já seguia os passos de seu Filho como verdadeira discípula, acompanhou depois os caminhos da Igreja nascente, testemunhando junto com os Apóstolos a ressurreição gloriosa de Cristo. E hoje continua a acompanhar cada um de nós, protegendo-nos sob o seu manto. 

No seu vídeo deste mês, o Papa enfatiza algumas dimensões de Maria que podem nos iluminar e ajudar no caminho de fé e da vida plena. Em certo sentido retoma o que afirmou na encíclica pós-sinodal Christus vivit, na qual reconhecia que “no coração da Igreja, resplandece Maria, o grande modelo para uma Igreja jovem, que deseja seguir Cristo com frescor e docilidade” (n. 43). De Maria aprendemos a escutar a voz de Deus que nos convida a participar do seu projeto de Salvação. Voz que se manifesta de diversos modos e em variados lugares, desde que tenhamos o nosso coração aberto e disponível para escutar. A essa escuta podemos chamar vocação, a qual cada um deve responder com o próprio “sim”. 

De Maria aprendemos também a discernir, ou seja, a dar o nosso “sim” não de modo instintivo ou inconsciente, mas como fruto de uma aceitação que por sua vez nasce de uma reflexão e de uma profunda convicção. Nosso sim deve ser maduro, consciente e comprometido, para tal é sempre Maria a nossa inspiração e modelo, pois dela aprendemos ainda a ter coragem e a assumir a nossa fé com coragem. Quantas vezes somos tentados a negar nossa fé diante de uma situação de dor, de adversidade, de confronto, ou simplesmente por vergonha! Sobretudo entre os jovens é comum esconder as próprias convicções e crenças por razões muitas vezes banais. Maria nos ensina a professar a fé com coragem e convicção, o que conduz naturalmente a uma vida concreta diversa, mais dedicada a Deus e ao próximo. E exatamente esta é a última característica enfatizada pelo Papa Francisco: de Maria aprendemos a servir com dedicação e alegria. 

Unamo-nos ao Papa, rezando por todos os jovens e para que descubram em Maria a verdadeira Mãe que lhes acompanha e protege, sendo modelo de vida e de fé. “Aquela jovenzinha é, hoje, a Mãe que vela pelos filhos: por nós, seus filhos, que muitas vezes caminhamos na vida cansados, carentes, mas desejosos que a luz da esperança não se apague. Isto é o que queremos: que a luz da esperança não se apague. A nossa Mãe vê este povo peregrino, povo jovem amado por Ela, que a procura fazendo silêncio no próprio coração, ainda que haja muito barulho, conversas e distrações ao longo do caminho. Mas, diante dos olhos da Mãe, só há lugar para o silêncio cheio de esperança. E, assim, Maria ilumina de novo a nossa juventude.” (Christus vivit, n. 48)

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