Avançar para o conteúdo principal

Todos somos missionários


Outubro é o mês missionário, especialmente neste ano em que o Papa proclamou outubro como “Mês Missionário Extraordinário” para celebrar o centenário da carta Apostólica Maximum Illud de seu predecessor o Papa Bento XV. No domingo 20, XXIX do Tempo Comum, celebraremos o Dia Mundial das Missões, mas já a inaugurar este mês, no dia 1º, celebramos a memória de Santa Teresa, padroeira das missões. De um modo ou de outro, toda a liturgia de outubro nos convida a dedicar uma atenção especial para esta realidade imprescindível da Igreja. Por isso o Papa nos propõe rezar nesta mesma intenção: “para que o sopro do Espírito Santo suscite uma nova primavera missionária na Igreja”.
Etimologicamente a palavra “missão” significa “enviar”. Neste sentido toda a Igreja é missionária, porque é enviada “a todas as nações” para “ensinar e batizar”, a proclamar “o evangelho a toda criatura” (cf. Mc 16,15). Todos os cristãos são enviados a “ensinar a observar tudo o que Jesus mandou” (cf. Mt 28,19ss). Toda a Igreja – portanto todos os batizados – é peregrina, testemunha, profética, sal e luz do mundo... Este foi o mandato de Jesus que devemos seguir. 
De fato, desde os primeiros tempos os seus discípulos e discípulas foram pelo mundo a anunciar o Evangelho, convertendo e ensinando todos os povos. Alguns teólogos afirmam que a missão é a razão principal da existência da comunidade de fé. Toda a vida da comunidade, tudo o que se faz na comunidade, é feito em função da missão. Por isso todos os projetos e objetivos da ação da Igreja devem ter em atenção a missão. 
Obviamente cada período histórico compreendeu e viveu de modo diverso este empenho missionário. Os apóstolos foram os primeiros a sair pelo mundo, levando consigo uma grande novidade. Tão nova que em muitos lugares não foi compreendida e por isso muitos foram perseguidos e martirizados (e ainda hoje tantos cristãos continuam sendo perseguidos e martirizados). Paulo seguiu o exemplo, levando o evangelho de Cristo pessoalmente e através das suas cartas por quase todo o mundo conhecido na época. Ao longo do tempo novas formas de missões foram surgindo, com o testemunho dos monges, por exemplo, ou no período das grandes navegações com os frades que se moviam pelas novas terras a fim de batizar e ensinar todos os povos. O exemplo de São Francisco Xavier e de São José de Anchieta são muito conhecidos, mas foram tantos os missionários, principalmente jesuítas, dominicanos e franciscanos, que se aventuraram pelo mundo em nome da fé. 
Mas hoje, como podemos viver também nós a dimensão missionária da Igreja? Num período em que vemos tanta intolerância e perseguição religiosa, como ser missionário? São tantos os modos. E não é preciso viajar para terras distantes. Claro que esta continua sendo uma opção, e tantos cristãos continuam a mover-se pelos cinco continentes para difundir a fé e o evangelho. Entretanto a Igreja nos dá outros modelos de missão que podem nos iluminar a sermos melhores “enviados”, melhores “testemunhas”, no nosso quotidiano. Santa Teresinha do Menino Jesus foi proclamada padroeira das missões e dos missionários sem nunca ter saído do seu País. Monja carmelitana de clausura desde os 16 anos, o Papa Pio XI escolheu-a pela dimensão missionária com que viveu a vida contemplativa. Ela é modelo de missionária da oração, do sofrimento e do amor, sempre em sintonia com a Igreja universal. Teresinha praticava de modo exemplar também a caridade, a simplicidade evangélica e a confiança em Deus. Em todos estes aspectos podemos nos inspirar para levarmos uma vida missionária na nossa própria comunidade, na nossa família, no nosso dia-a-dia.  

A “nova primavera missionária” que o Papa Francisco deseja passa por este caminho. Se cada um de nós viver mais intensamente a fé, num profundo senso missionário, como enviados por Jesus a transformar o mundo, certamente as nossas comunidades serão mais vivas e atrativas. E se as comunidades e paróquias forem mais dinâmicas, certamente as vocações surgirão. Que cada uma das nossas comunidades possa ser verdadeiramente um jardim de alegria e beleza para a vivência e o testemunho da fé, pois só cuidando bem do jardim poderemos sentir e confirmar a chegada da “primavera”. 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Munificentíssimo Deus

No editorial de Maio, recordamos a forte devoção à Nossa Senhora presente na comunidade cristã desde os primeiros tempos. Esta estima é confirmada mais uma vez neste mês de Agosto, pois no próximo dia 15 celebramos a Assunção de Maria ao Céu. Esta devoção surgiu no século IV, em Jerusalém, e é celebrada desde o século VI pelas igrejas do Oriente como solenidade. Chamada inicialmente de “trânsito” ou “dormição de Maria”, difundiu-se no Ocidente a partir do séculoXIV. Em 1 de Novembro de 1950 a Assunção de Nossa Senhora foi proclamada dogma de fé, pelo Papa Pio XII, através da bula Munificentissimus Deus. Após estabelecer a relação entre a Imaculada Conceição e a Assunção, e resumir os testemunhos da crença na Assunção, a devoção dos fiéis e o testemunho dos Santos Padres, Pio XII escreve: «Depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus omnipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para ho...

Dinamismo della santità

La santità è la nostra vocazione principale (come battezzati), è l'essenza della vita cristiana. Essere cristiano vuol dire essere chiamato alla santità. Di questo ci ricorda Gesù che dice ai discepoli: " Siate voi dunque perfetti come è perfetto il Padre vostro celeste " (Mt 5,48); e Paolo che scrive: "Scrivo a tutti voi che siete a Roma e che siete amati da Dio e chiamati alla santità" (Rm 1,7) e "[Cristo] ci ha salvati e ci ha chiamati con una vocazione santa" (2 Timoteo 1,9 - cfr 1Ts 3,13; 4,7; 1Cor 1,2). Nel corso della storia abbiamo molti esempi di santità. Uomini e donne che hanno vissuto questa vocazione cristiana alla perfezione, che hanno vissuto in profondità il Vangelo. Erano persone normali come ognuno di noi, ma hanno vinto tutti i suoi limiti per servire Dio e rispondere alla chiamata alla santità. Come ricorda bene il generale nella sua lettera, “la santità non è lontana dalla vita delle persone comuni”. Ritornando alla questi...

Carismas a serviço da Igreja

Maio é o mês mariano por excelência. Nossa atenção está voltada sobretudo para a Mãe e Rainha, sinal de acolhida, de encontro, de fé e de amor. Entretanto neste mês de Maria o Papa Francisco também nos convida a direcionar nossa atenção e orações para os diversos movimentos e grupos eclesiais, que simbolicamente podem ser vistos como este grande manto de Maria que, em nome do Filho Jesus, se abre para acolher, proteger e unir todos seus filhos. A intenção de oração de maio, apresentada pelo Papa Francisco no seu recente vídeo do mês, convida-nos a rezar “ para que os movimentos e grupos eclesiais redescubram cada dia a sua missão evangelizadora, pondo os próprios carismas a serviço das necessidades do mundo ”. “ A serviço ”, enfatiza o Papa. De fato, cada movimento é independente, mas estão todos a serviço da Igreja, ou seja, devem trabalhar em harmonia e unidade com os bispos e as paróquias. É essa característica de serviço que mantém o dinamismo da missão dos movimentos eclesiais, qu...