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Então é Natal! Ou quase!

Dezembro chegou, mais um ano termina e mais um natal se aproxima. Com ele toda a rotina de preparação, festa, cumprimentos, enfeites, músicas tradicionais por toda a parte, todo mundo pensando em comidas e presentes... enfim, mais um ciclo que volta a se repetir. Mas será só isso? Porque esta época é assim tão repetitiva e tão mística ao mesmo tempo? Porque celebrar todos os anos a mesma festa, reunir as mesmas pessoas, comer os mesmos doces típicos, dar os mesmos presentes?
Mais do que uma repetição, cada Natal é uma nova oportunidade. É-nos oferecida uma nova chace de recomeçar, de “nascer” de novo, juntamente com o Menino Jesus. Temos a possibilidade de avaliar o nosso ano que passou e projetar coisas diferentes. Corrigir o que não foi bom, mudar o que for preciso e aprofundar o que nos trouxe alegria.
A liturgia nos ajuda neste sentido, dando-nos a oportunidade de nos prepararmos para o Natal ao longo das quatro semanas do Advento. É um percurso de purificação, se preferirmos, à semelhança da Quaresma. Os textos propostos para a nossa meditação ajudam-nos a mergulhar no mistério da Encarnação, fazendo-nos ver e compreender como Deus se fez Homem para dar um novo significado à Humanidade. Como Deus veio ao encontro da Sua criatura a fim de que cada ser humano pudesse se aproximar d’Ele e nunca mais se separar da Sua Graça infinita.
Natal é de fato este tempo mágico. Não de rotinas, de festas e de trocas de presentes, mas acima de tudo de encontros e descobertas. Um tempo de renovação e de fortalecimento de laços. Daqueles laços que nos unem a Deus, através da Encarnação do Menino em Belém, que fazemos memória na liturgia; e também daqueles laços que nos unem a tantos outros seres humanos de um modo especial: aos nossos familiares, amigos, vizinhos, colegas do trabalho ou de estudo, pessoas que ao longo do ano nos marcaram e “quebraram” a nossa rotina.
Natal é o tempo de valorizar estas pessoas, de “celebrá-las”, de fortalecer os laços que nos unem a elas, de tomar consciência do bem que elas nos fazem e o quanto são importante para nós. As festas e presentes deveriam servir exatamente para dizermos o quanto nos amamos e nos queremos bem, para confirmarmos o valor que cada um tem na nossa vida, dos mais próximos aos mais distantes. Não deve ser jamais uma formalidade, uma rotina, uma “obrigação de família”.
A beleza do Natal está na sua simplicidade, espontaneidade e naturalidade, como em Belém. Maria e José perambulavam sem encontrar um local para passar a noite. Passaram de porta em porta até encontrar um pequeno espaço onde repousar. Ali Maria deu à luz o Menino, em meio a animais e pastores, no silêncio da noite. Sem festas, sem banquetes, sem enfeites. Mas nada disso foi um problema, pois sabiam que tinham consigo o essencial: Jesus, a alegria e o amor do próprio Deus Encarnado.
Que neste Natal que se aproxima cada um de nós saiba aproveitar ao máximo esta nova oportunidade que Deus nos dá de viver intensamente o momento central da Encarnação. Que cada um de nós tenha humildade para fazer um exame sério de consciência sobre o ano que passou, com seus momentos de dor e de alegria, de sofrimentos e realizações. Mas que cada um tenha também a coragem de fazer algo de diferente, de sair da rotina, de arriscar algo diferente. De celebrar o Natal não como uma repetição de ritos e obrigações, mas verdadeiramente como uma “festa cristã”, de alegria, de renovação, de memória, de esperança, de retorno ao essencial.
Que neste mês de dezembro cada um de nós possa viver verdadeiramente o espírito de Natal que tantas canções entoam e que toda a liturgia nos apresenta paulatinamente, até atingirmos o auge no dia 25.

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