Avançar para o conteúdo principal

2º domingo do tempo comum - 16.01


Neste 20º domingo do tempo comum, a liturgia convida-nos a meditar sobre a “vocação”, tanto de personagens importantes da história da salvação como a nossa vocação hoje. Somos convidados a descobrir os caminhos que o Senhor utiliza para nos escolher e chamar ao seu seguimento.
Na primeira leitura, do livro de Isaías, vemos como Deus institui Israel como luz das nações e como elege Isaías para ser o libertador do povo exilado na Babilónia. Lemos um trecho do 2º cântico do Senhor, que descreve a vocação profética na sua estrutura clássica: Isaías é escolhido desde o ventre materno para desempenhar uma missão: ser o representante de Deus na libertação do povo, na condução de Israel para a vida, para o fim do exílio. Isaías é o ungido, escolhido para Deus manifestar a Sua glória. E a glória de Deus é exactamente a Sua presença actuante na história, conduzindo o Seu povo à vida e à liberdade. A glória de Deus continua a se manifestar hoje em nossas famílias e comunidade de fé. Nós, cristãos, somos chamados a manifestar a glória de Deus, sendo hoje luz para o mundo. Testemunhar a bondade de Deus é uma das exigências para os baptizados, os que reconhecem Cristo como o Messias, como veremos mais adiante no evangelho.
Na segunda leitura vemos um novo relato de vocação, agora de Paulo. É o início da carta aos coríntios. Paulo é o fundador de várias comunidades cristãs em Corinto, uma cidade grega muito agitada e rica na época, com cerca de 500 mil habitantes e um porto muito movimentado. Mas a sua autoridade é posta em causa por algumas pessoas. Paulo teme que o evangelho que ele anunciou seja deturpado e por isso escreve aos cristãos de corinto. Logo no início da sua carta, que hoje lemos, saúda a comunidade e apresenta-se como apóstolo, ou seja, escolhido por Cristo para ser o Seu embaixador. Paulo foi enviado pelo Senhor para realizar a Sua missão, por isso é considerado verdadeiro apóstolo. O evangelho que ele anuncia é o evangelho de Cristo. Paulo evoca a unidade dos cristãos, mencionando que escreve aos cristãos que “estão” em Corinto, ou seja, são parte de algo muito maior, a Igreja de Cristo. Paulo dirige-se a todos os que são “chamados à santidade”, o que indica que a carta é dirigida a cada um de nós hoje, vocacionados à santidade.
No evangelho vemos mais alguns sinais do tema principal da liturgia de hoje: a vocação. Nele podemos constatar qual é a vocação de João Baptista, além de confirmarmos quem é Jesus. O evangelho de João não narra o baptismo de Jesus, mas o texto deste domingo o pressupõe, fazendo referência a ele. João narra um novo encontro de João Baptista com Jesus. Neste encontro, João reconhece Jesus como cordeiro de Deus (o servo ou messias em referência ao livro de Isaías), como aquele que baptiza com o Espírito Santo, ou seja, aquele que santifica; e como Filho de Deus, o próprio Deus encarnado. Jesus é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, como repetimos em cada eucaristia. Ele oferece o sacrifício definitivo para pagar pelo nosso pecado. João prenuncia assim o fim de Jesus, professando a sua fé. O caminho de fé de João baptista deve ser o caminho de todo o cristão: primeiro não sabe quem é Jesus, não o conhece, pois só conhecemos verdadeiramente quando fazemos a experiência, não basta ouvir falar; depois há o reconhecimento e João vê em Jesus o Messias santificador. Após conhecer Jesus, João dá testemunho. É o terceiro passo no caminho da fé.
Nós também devemos conhecer Jesus através da experiência pessoal de fé e de compromisso. Somente confiando que Jesus é o cordeiro de Deus conseguiremos superar os pecados do mundo e dar testemunho. Para seguir Jesus é preciso antes conhecê-lo profundamente. Num mundo tão marcado pelo individualismo e pelo cepticismo, cabe a nós cristãos dar a conhecer Jesus. Assim como João Baptista, após reconhecer Cristo como o nosso salvador, é preciso dar testemunho dele a fim de que todos creiam e sejam transformados. Devemos apresentar novamente Cristo ao mundo para que mais pessoas o sigam e os frutos da fé sejam mais manifestos.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Munificentíssimo Deus

No editorial de Maio, recordamos a forte devoção à Nossa Senhora presente na comunidade cristã desde os primeiros tempos. Esta estima é confirmada mais uma vez neste mês de Agosto, pois no próximo dia 15 celebramos a Assunção de Maria ao Céu. Esta devoção surgiu no século IV, em Jerusalém, e é celebrada desde o século VI pelas igrejas do Oriente como solenidade. Chamada inicialmente de “trânsito” ou “dormição de Maria”, difundiu-se no Ocidente a partir do séculoXIV. Em 1 de Novembro de 1950 a Assunção de Nossa Senhora foi proclamada dogma de fé, pelo Papa Pio XII, através da bula Munificentissimus Deus. Após estabelecer a relação entre a Imaculada Conceição e a Assunção, e resumir os testemunhos da crença na Assunção, a devoção dos fiéis e o testemunho dos Santos Padres, Pio XII escreve: «Depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus omnipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para ho...

Carismas a serviço da Igreja

Maio é o mês mariano por excelência. Nossa atenção está voltada sobretudo para a Mãe e Rainha, sinal de acolhida, de encontro, de fé e de amor. Entretanto neste mês de Maria o Papa Francisco também nos convida a direcionar nossa atenção e orações para os diversos movimentos e grupos eclesiais, que simbolicamente podem ser vistos como este grande manto de Maria que, em nome do Filho Jesus, se abre para acolher, proteger e unir todos seus filhos. A intenção de oração de maio, apresentada pelo Papa Francisco no seu recente vídeo do mês, convida-nos a rezar “ para que os movimentos e grupos eclesiais redescubram cada dia a sua missão evangelizadora, pondo os próprios carismas a serviço das necessidades do mundo ”. “ A serviço ”, enfatiza o Papa. De fato, cada movimento é independente, mas estão todos a serviço da Igreja, ou seja, devem trabalhar em harmonia e unidade com os bispos e as paróquias. É essa característica de serviço que mantém o dinamismo da missão dos movimentos eclesiais, qu...

Do descarte ao acolhimento

  No seu vídeo do mês de setembro, o Papa Francisco apresenta e questiona algumas contradições do nosso tempo, convidando-nos a rezar pelos “ invisíveis ” da sociedade.  O Papa chama a atenção de todos nós para um problema histórico, mas que tem se agravado na sociedade contemporânea:  a indiferença . Ao mesmo tempo em que o ambiente digital e as novas formas de comunicação, sobretudo as redes sociais, permitem uma superexposição de pessoas e situações, por outro lado essas mesmas redes excluem tudo o que considera “desagradável”, feio, pouco atrativo. Tratam com indiferença um grupo muito grande de pessoas, por não serem “comercialmente interessantes”. No seu vídeo do mês, o Papa indica categorias de pessoas que se tornaram invisíveis por questão de pobreza, dependência, doença mental ou deficiência, mas se pensarmos bem existem tantas outras pessoas excluídas dos perfis digitais maquiados e inflados por diversos estratagemas comerciais a fim de atrair e cativar. Superex...