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Pelas religiosas e consagradas

 


Os dados publicados anualmente pelo Escritório Central de Estatística da Igreja apontam para uma diminuição progressiva das vocações sacerdotais e religiosas, mas é sempre mais preocupante a diminuição do número de mulheres consagradas, com cerca de 2% em menos a cada ano. Por isso o Papa convida-nos neste mês de fevereiro a rezar pelas vocações femininas na Igreja. De modo mais específico, exorta a rezar “pelas religiosas e consagradas, agradecendo-lhes a sua missão e a sua coragem, para que continuem a encontrar novas respostas diante dos desafios do nosso tempo”.

Há poucos dias (24 de janeiro), ao receber em audiência as irmãs da Congregação de Nossa Senhora, o Papa foi categórico ao afirmar: “Conto com vocês e confio em vocês, a Igreja confia em vocês”. Expressava em um âmbito particular o seu sentimento universal pela vida religiosa feminina tantas vezes repetido e reforçado ao longo do seu pontificado, por exemplo com as constantes nomeações de consagradas para postos centrais no Vaticano até então reservados ao clero. Naquela audiência o Papa incentivou ainda as irmãs na realização da missão, com o mesmo encorajamento e desejo que na intenção de oração deste mês alarga a todas as consagradas do mundo: “Nos vários países que vocês trabalham, encorajo-as a serem discípulas missionárias e comunidades de esperança e alegria”.

As raízes jesuíticas do Papa Francisco certamente lhe ajudam a ter esta maior sensibilidade para a vida consagrada e a missão específica realizada pelas diversas congregações na Igreja, a compreender a importância da vida religiosa e a sua especificidade. Em muitas dioceses falta esse incentivo para que as irmãs religiosas e consagradas “continuem a encontrar novas respostas diante dos desafios do nosso tempo”, como enfatiza o Papa. Não por acaso Francisco no passado dedicou um ano especial à vida consagrada, em 2015, com o tema “Vida Consagrada na Igreja hoje: Evangelho, Profecia e Esperança”. Foi de fato um ano jubilar, de alegria e graça, que não pode ser esquecido. Ainda são muito válidos e pertinentes os três objetivos traçados naquela ocasião, ou seja, “olhar para o passado com gratidão, viver o presente com paixão e abraçar o futuro com esperança”.

Se por um lado a intenção do mês exorta toda a Igreja a rezar e reconhecer o papel e o valor da consagração feminina, por outro incentiva as congregações e institutos a reverem a própria missão e estilo de vida. Nesse sentido, vale a pena recordar a vídeo-mensagem do Papa por ocasião da 50ª Semana para Institutos de Vida Consagrada (2021), quando disse: “Eu me pergunto sobre a esterilidade de alguns institutos de vida consagrada... a causa geralmente está na falta de diálogo e de compromisso com a realidade”. Apresentando o exemplo de Santa Teresa, Francisco enfatizou a necessidade de reforma de alguns institutos, porque “a reforma sempre é caminho, é caminho em contato com a realidade e horizonte sob a luz de um carisma fundacional. Manter vivo o carisma fundacional é mantê-lo em caminho e em crescimento, em diálogo com o que o Espírito vai nos dizendo na história dos tempos, nos lugares, em diversas épocas, em diversas situações. E supõe discernimento e oração”.

Que este mês de fevereiro seja uma nova ocasião para refletirmos sobre a missão das consagradas na Igreja, bem como para valorizar e divulgar esta vocação e missão em todas as nossas paróquias e comunidades. De modo especial, que todos possamos bem celebrar o Dia Mundial da Vida Consagrada – festejado juntamente com a Apresentação do Senhor, no dia 2 de fevereiro – e manter assim acesa a chama profética que caracteriza a vida religiosa consagrada.

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