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«Sede minhas testemunhas»

O mundo precisa de testemunho. Precisa de bons testemunhos, profundos, verdadeiros, belos, que nos comovam e inspirem. Mas também precisa que cada cristão seja testemunho, no seu quotidiano, na sua simplicidade, nos seus relacionamentos.
Ser testemunho significa professar a própria fé e afirmar a alegria de ser cristão. Significa aceitar o baptismo que recebemos e assumir toda a tradição que edifica a Igreja e a sociedade. Significa difundir o evangelho de Cristo e transformar a sociedade, levando a esperança, a alegria, a luz e a coragem a todos e a todo o lado. Significa ser discípulo, verdadeiro seguidor do Mestre, imitando-O no Seu modo de ver o mundo, de perdoar, de acolher o irmão, de relacionar-se com as pessoas, de amar. Significa reflectir a presença de Deus a todo o instante, mesmo sem pronunciar palavra alguma, apenas através de um sorriso, de um olhar, de um gesto, de um toque, de um abraço.
A Sagrada Escritura está cheia de exemplos de testemunho. Do Génesis ao Apocalipse, diversos são os textos que remetem a esta temática. Alguns apenas relatam factos, outros apresentam personagens que são modelos de testemunho, outros recordam o mandamento de não levantar falso testemunho. No Antigo Testamento prevalece este último sentido. “Não levantar falso testemunho” não significa apenas não mentir. Significa ser verdadeiro nas palavras e acções. Ser realista e sincero, sem pretender ser o que não somos, ou mostrar uma realidade que não existe.
Mas também são muitos os relatos dos que davam testemunho da bondade, sabedoria e omnipotência de Deus. Os que “viam” a Deus sentiam-se fortemente impelidos a testemunhá-l’O. Não se podiam conter, pois necessitavam partilhar aquela alegria com a qual foram agraciados. Destes relatos aprendemos que a origem do testemunho não pode ser outra senão o encontro com Deus. “Ver” Deus significa ser tocado por Ele, ter uma experiência de encontro pessoal, mesmo que este encontro não tenha sido físico, material. Ao “vermos” Deus, somos transformados e tornamo-nos testemunhas, portadores de uma verdade muito maior do que nós próprios.
Os personagens do Novo Testamento demonstram isso claramente, a iniciar por João Baptista, que “deu testemunho da luz” (Jo 1,7.15). Depois de João vieram os Apóstolos (cf. Jo 15,27; Act 4,33), todas aquelas pessoas que eram curadas por Jesus, ou que simplesmente ouviam-n’O e eram transformadas pelas Suas palavras e gestos, e os cristãos das primeiras comunidades. O próprio Jesus convidou diversas vezes os seus discípulos a darem testemunho (cf. Mt 10,26-33; Lc 24, 48; Act 1,8), com destaque para Paulo que levou o evangelho por todo o Império Romano (Act 23,11).
O convite a ser testemunha de Cristo foi renovado ao longo da história através dos imensos santos, profetas e mártires cristãos. A palavra “mártir”, em grego, significa exactamente “testemunha”. Desse modo, cada cristão hoje é convidado a também ser mártir, pois este é o caminho do testemunho e da santidade.
Mas existem duas formas de martírio. A primeira é o martírio cruento, ou seja, de sangue. Este martírio caracteriza todos aqueles que deram a vida pela fé e pelo evangelho, os que defenderam Cristo até o fim, preferindo entregar a própria vida a negar o sentido da sua existência. O segundo martírio é o incruento (sem sangue), que caracteriza aqueles que se consagram a Deus, que dedicam toda a sua vida à fé e ao seguimento de Cristo através do serviço aos pobres e aos excluídos, por exemplo.
Seja de forma activa ou de forma silenciosa, todo cristão é chamado a ser mártir. E seremos santos à medida que formos mártires, que dermos o nosso testemunho vivaz e alegre, vivendo o evangelho em meio à sociedade secularizada, numa batalha constante e num combate contínuo aos falsos valores, sem sangue, apenas com as armas da fé, mas com muita alegria e disponibilidade. Este é o caminho da transformação e da salvação, pois quem dá testemunho é sempre uma pessoa digna, íntegra, convicta, reconhecida e valorizada.
Ir. Darlei Zanon

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