Avançar para o conteúdo principal

A vida é eterna!


O mês de Novembro está tradicionalmente ligado, na fé cristã, à recordação dos fiéis defuntos. Nós católicos temos um carinho bastante especial pelos falecidos, que é demonstrado ao longo de todo o ano com as missas rezadas na sua intenção, nas orações contínuas pelo seu descanso em paz, pela memória das muitas virtudes e acções dos entes queridos que nos deixaram para fazerem parte do Reino do Céu.

Desde o século II existe a tradição de se rezar pelos mortos, visitando os túmulos dos mártires e as catacumbas. No século V, a Igreja começou a dedicar um dia especial para rezar por todos os mortos – em íntima ligação com a Festa de Todos os Santos –, inclusive os desconhecidos e esquecidos, pelos quais ninguém rezava. A tradição foi-se intensificando a partir dos pedidos de oração pelos falecidos por parte de Santo Odilon, abade de Cluny (século X), e dos Papas Silvestre II, João XVII e Leão IX (século XI). No século XIII fixou-se oficialmente o dia 2 de Novembro para esta memória.

Desde a sua origem, porém, o Dia de Fiéis Defuntos não é dia de luto e tristeza. É dia da mais íntima comunhão com aqueles que nos precederam no Reino. É dia de esperança, porque sabemos que os nossos irmãos ressurgirão em Cristo para uma vida nova. É dia de confiança, pois somos filhos de Deus e reconhecemos nossa limitação e a grandeza d’Aquele que nos criou e nos acolhe no seu Reino. É, sobretudo, dia de oração, que se revestirá da maior eficácia se a unirmos ao sacrifício da Reconciliação, a Missa.

Conforme o Concílio Vaticano II: «até que o Senhor venha em sua majestade e com Ele todos os anjos (cf. Mt 25,31) e, destruída a morte, todas as coisas Lhe forem sujeitas (cf. 1Cor 15,26-27), alguns dentre os seus discípulos peregrinam na terra, outros, terminada esta vida, são purificados, enquanto outros são glorificados, vendo ‘claramente o próprio Deus trino e uno, assim como Ele é’; todos, contudo, em grau e modo diverso, participamos da mesma caridade de Deus e do próximo e cantamos o mesmo hino de glória ao nosso Deus. Todos são de Cristo, tendo o Seu Espírito, congregam-se numa só Igreja e n’Ele estão unidos entre si (cf. Ef 4,16). Em vista disso, a união dos que estão na terra com os irmãos que descansam na paz de Cristo não se interrompe de maneira nenhuma; ao contrário, conforme a fé perene da Igreja, se vê fortalecida pela comunicação dos bens espirituais» (Lumen Gentium, n. 49).

A oração, acompanhada da ida ao cemitério, de levar flores etc., revela o nosso amor para com os falecidos e expressa esta nossa união com eles, diferente, porém real e importante. Uma união que nos ajuda a superar a dor da separação e a sentir a esperança da vida eterna. Uma união que nos inspira e consola, que nos conduz a uma vida mais intensa e comprometida, que nos faz sentir verdadeiramente o amor de Deus e o amor dos irmãos.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Carismas a serviço da Igreja

Maio é o mês mariano por excelência. Nossa atenção está voltada sobretudo para a Mãe e Rainha, sinal de acolhida, de encontro, de fé e de amor. Entretanto neste mês de Maria o Papa Francisco também nos convida a direcionar nossa atenção e orações para os diversos movimentos e grupos eclesiais, que simbolicamente podem ser vistos como este grande manto de Maria que, em nome do Filho Jesus, se abre para acolher, proteger e unir todos seus filhos. A intenção de oração de maio, apresentada pelo Papa Francisco no seu recente vídeo do mês, convida-nos a rezar “ para que os movimentos e grupos eclesiais redescubram cada dia a sua missão evangelizadora, pondo os próprios carismas a serviço das necessidades do mundo ”. “ A serviço ”, enfatiza o Papa. De fato, cada movimento é independente, mas estão todos a serviço da Igreja, ou seja, devem trabalhar em harmonia e unidade com os bispos e as paróquias. É essa característica de serviço que mantém o dinamismo da missão dos movimentos eclesiais, qu...

Munificentíssimo Deus

No editorial de Maio, recordamos a forte devoção à Nossa Senhora presente na comunidade cristã desde os primeiros tempos. Esta estima é confirmada mais uma vez neste mês de Agosto, pois no próximo dia 15 celebramos a Assunção de Maria ao Céu. Esta devoção surgiu no século IV, em Jerusalém, e é celebrada desde o século VI pelas igrejas do Oriente como solenidade. Chamada inicialmente de “trânsito” ou “dormição de Maria”, difundiu-se no Ocidente a partir do séculoXIV. Em 1 de Novembro de 1950 a Assunção de Nossa Senhora foi proclamada dogma de fé, pelo Papa Pio XII, através da bula Munificentissimus Deus. Após estabelecer a relação entre a Imaculada Conceição e a Assunção, e resumir os testemunhos da crença na Assunção, a devoção dos fiéis e o testemunho dos Santos Padres, Pio XII escreve: «Depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus omnipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para ho...

DISCONNECT

“Desligados”, de Henry-Alex Rubin, é uma história cheia de histórias. É um filme sobre os perigos da internet, de um mundo cada vez mais conectado, onde estamos constantemente expostos. Sim, mas é essencialmente um filme sobre as relações humanas e o perigo de vivermos desconectados, ou “desligados”. Não convida o expectador a desligar-se da rede virtual, mas sim a ligar-se às pessoas que estão à sua volta, especialmente as pessoas que ama e que muitas vezes se tornam distantes sem que se perceba por qual motivo. Mais do que explorar as consequências da moderna tecnologia e de como esta determina o nosso dia-a-dia, “Desligados” faz um retrato perfeito das consequências e resultados da falta de relações pessoais, fruto de contextos familiares desestruturados que marcam a nossa sociedade. Fala de cônjuges que não dialogam, irmãos que não se apoiam, pais e filhos que não expressam os seus sentimentos e angústias. Fala de pessoas que se refugiam na internet pois é ali onde encontram o...