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Pela Igreja e a sua renovação



Neste mês de agosto o Papa coloca a “Igreja” no centro da sua intenção de oração, dando ênfase a um tema delicado mas essencial: a reforma da Igreja à luz da evangelização. Mais especificamente, pede orações “pela Igreja, para que receba do Espírito Santo a graça e a força de se reformar à luz do Evangelho”.

O tema não é novo. Praticamente desde o início do seu pontificado Francisco colocou a reforma da Igreja como uma de suas prioridades. Na introdução da exortação apostólica Evangelii gaudium – na qual propõe algumas diretrizes que possam encorajar e orientar, em toda a Igreja, uma nova etapa evangelizadora, cheia de ardor e dinamismo –, o Papa assim escreve: “decidi, entre outros temas, de me deter amplamente sobre as seguintes questões: a) a reforma da Igreja em saída missionária; b) as tentações dos agentes pastorais; c) a Igreja vista como a totalidade do povo de Deus que evangeliza; d) a homilia e a sua preparação; e) a inclusão social dos pobres; f) a paz e o diálogo social; g) as motivações espirituais para o compromisso missionário” (EG n. 17).

Esse se tornou de fato o projeto de pontificado de Francisco. Como primeira prioridade colocou a reforma da Igreja, da qual se ocupa todo o primeiro capítulo da Evangelii gaudiumOs grandes eixos administrativos – como a reforma da Cúria, a reforma financeira e a luta contra os abusos de menores –, encontram ainda hoje resistências, mas Francisco deu passos muito significativos rumo a uma “Igreja em saída”, como insiste. Uma das transformações mais importantes foi a abertura periférica da Igreja, especialmente por meio da nomeação de uma centena de novos cardeais, com sete consistórios desde 2013. No colégio configurado pelo Pontífice os europeus não são mais a maioria, algo que já havia acontecido em algum período, mas de modo mais leve e sem marcar nenhuma tendência como agora. A cada novo consistório o Papa surpreende criando cardeais alguns bispos desconhecidos e sobretudo “periféricos”, provenientes de pequenas realidades, distantes de Roma e das grandes metrópoles que sempre tiveram a prioridade. 

Outro sinal claro da preferência de Francisco pelas minorias e os pobres são as suas viagens internacionais. Sempre motivadas pelo desejo de promover a paz e o diálogo, o Papa priorizou as periferias: pequenos países da Ásia, da África e do leste europeu, geralmente esquecidos ou colocados em segundo plano na lógica global guiada pela economia. Sua última viagem, ao Iraque, é exemplo claro. 

As nomeações que tem feito ao longo do seu pontificado seguem essa mesma linha de raciocínio, sempre privilegiando a inclusão e a igualdade. Apenas para recordar algumas pequenas “reformas”, o Papa nomeou pela primeira vez na história um leigo como prefeito de um Dicastério pontifício (da Comunicação), assim como nomeou pela primeira vez mulheres em postos centrais como a direção dos Museus do Vaticano e na diretoria da Comunicação da Santa Sé. No início deste ano 2021 tivemos novo sinal, muito significativo: a nomeação da Ir. Alessandra Smerilli como subsecretária do Dicastério para o Desenvolvimento Humano, e a nomeação da religiosa francesa Nathalie Becquart, com direito a voto, como subsecretária da importante instituição do Sínodo dos Bispos, criado em 1965 pelo Papa Paulo VI mas que recebeu novo impulso e reconhecimento com Francisco. 

No entanto, o passo mais importante e difícil, e provavelmente por isso o Papa pede a nossa oração durante este mês, é a reforma da Cúria Romana. Regularmente Francisco defende a reforma no Vaticano e alerta para os perigos que a “rigidez” pode trazer para a Igreja Católica. São já famosos os seus discursos de Natal para a Cúria, onde a cada ano tenta explicar as reformas introduzidas e as que estão por vir. No ano passado, por exemplo, enfatizou que: “se quisermos de verdade uma atualização, devemos ter a coragem duma disponibilidade sem limites; há que deixar de pensar na reforma da Igreja como remendo dum vestido velho ou mera redação duma nova constituição apostólica. A reforma da Igreja é outra coisa. Não se trata de «remendar uma peça de vestuário», porque a Igreja não é simples «vestido» de Cristo, mas o seu Corpo que abraça a história inteira (cf. 1 Cor 12, 27). Somos chamados, não a mudar ou reformar o Corpo de Cristo – «Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e pelos séculos» (Hb 13,8) –, mas a revestir com um vestido novo aquele mesmo Corpo, a fim de que resulte claramente que a graça possuída não vem de nós, mas de Deus” (Discurso à Cúria Romana, 21 de dezembro de 2020). 

Acompanhemos com fé e esperança todo esse processo, suportando o Papa com as nossas orações, especialmente durante este mês, como nos convida Francisco no seu vídeo, para que a Igreja seja sempre mais missionária e aberta aos pobres, deixando-se guiar e transformar pela ação do Espírito Santo.


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