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A esperança do mundo


Neste mês de julho o Papa nos convida novamente a rezar pelas famílias, tema muito presente no seu magistério. Em muitas situações e eventos Francisco nos recorda a importância e a centralidade da família, como aquele núcleo base que nos traz conforto e segurança, lugar privilegiado para difundir o evangelho e cultivar a fé. Aqui mesmo neste espaço de reflexão já recordamos tantas destas palavras do Papa, de modo particular ligadas ao Sínodo dos Bispos de 2015 e à exortação apostólica pós-sinodal Amoris laetitia. Hoje retomamos novamente o tema para acompanhar o Sumo Pontífice na intenção de que “as famílias sejam acompanhadas com amor, respeito e conselho.”
O primeiro elemento muito significativo que vemos no pedido do Papa é a especial atenção à unidade familiar, especialmente na sociedade atual que promove o individualismo e a ruptura dos valores que estão da base da família, tais como a cooperação, a solidariedade, a ajuda mútua... isso para não dizer “o amor, o respeito e o conselho”, como nos recorda de modo enfático o Papa. Diante da fragilidade das relações hoje é preciso proteger a família para que continue a ser suporte para os seus membros.
É interessante recordar o que o próprio Papa escreveu na sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações de 2015, período entre os dois Sínodos sobre a família. Na mensagem, cujo tema era a família como “ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor”, Francisco nos apresentava a família como um “ventre” que continua a nos ajudar a crescer, a nos formar para o mundo: “Mesmo depois de termos chegado ao mundo, em certo sentido permanecemos num ‘ventre’, que é a família. Um ventre feito de pessoas diferentes, interrelacionando-se: a família é ‘o espaço onde se aprende a conviver na diferença’ (cf. Evangelii gaudium, 66). Diferenças de géneros e de gerações, que comunicam, antes de mais nada, acolhendo-se mutuamente, porque existe um vínculo entre elas. E quanto mais amplo for o leque destas relações, tanto mais diversas são as idades e mais rico é o nosso ambiente de vida.” A família continua a nos “gerar”, por isso quanto mais ligados a ela estivermos, mais somos nutridos e protegidos. 
Isso não significa dependência ou renúncia à própria personalidade ou individualidade. Ao contrário, as pessoas que se sentem amadas, protegidas, que sabem que têm um alicerce com o qual podem contar em todas as situações, de modo incondicional, certamente serão muito mais positivas, proativas, assertivas. Serão crianças, jovens e adultos com muito maior autoestima, valores e postura ética que lhes ajudarão a superar qualquer dificuldade ou problema. 
Já no início do seu Pontificado, em um encontro com os bispos do Sri Lanka (2014), Francisco recordava que “quando nos preocupamos com as nossas famílias e as suas necessidades, quando entendemos os seus problemas e esperanças, quando se apoia a família, os esforços repercutem-se não só em benefício da Igreja; ajudam também a sociedade inteira”. Eis porque é essencial falar sobre a família e sobretudo garantir que “sejam acompanhadas com amor, respeito e conselho”. A Igreja no seu todo deve prover esta garantia. Em primeiro lugar os líderes, como os padres e bispos, que devem dar prioridade e atenção contínua às necessidades e problemas das famílias na sua paróquia e diocese. Mas cada cristão é convidado a contribuir, promovendo a família e os seus valores diante de uma sociedade que despreza, maltrata e agride constantemente a família. Ajudar-nos uns aos outros, garantir a nossa proximidade, é fundamental na vida de fé. Não podemos pensar a Igreja senão como uma “grande família”, que por sua vez funciona como um “ventre” para as “pequenas famílias”, as “igrejas domésticas”.
O que o Papa nos pede de modo especial neste mês não é apenas rezar pela família, mas recordar e valorizar a família pois ela é a esperança do mundo. Sem a família não há humanidade, pois são as famílias que “ensinam o amor, o acolhimento e o perdão, que são os melhores antídotos contra o ódio, o preconceito e a vingança que envenenam a vida de pessoas e comunidades” (Encontro mundial das Famílias na Irlanda, 2018). 

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