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A serviço da Palavra e dos pobres


Neste mês especialmente dedicado à Nossa Senhora, Mãe de Deus, o Papa nos convida a rezar de modo particular por um dos serviços presentes na Igreja: o diaconato. Mais especificamente, pede que “rezemos para que os diáconos, fiéis ao serviço da Palavra e dos pobres, sejam um sinal vivificante para toda a Igreja”.
Muitos de nós certamente estão familiarizados com a figura do diácono, mas são muitas as paróquias que não contam com esta presença. Mesmo nas comunidades onde o diaconato é presente, muitos não compreendem bem qual a sua missão específica. Ao mesmo tempo que rezamos para que eles sejam “fiéis ao serviço da Palavra e dos pobres”, procuremos neste mês conhecer um pouco mais profundamente este grau da Ordem, serviço que existe desde o início da Igreja e que foi restaurado como grau autónomo e permanente pelo Concílio Vaticano II, como podemos aprofundar nos documentos conciliares Lumen gentium 29, Ad gentes 16, Orientalium ecclesiarum 17.
“Diácono” é uma palavra grega que significa literalmente “ministro”, “servo” ou “ajudante”. Nos Atos dos Apóstolos a palavra “diácono” é utilizada para caracterizar o grupo de sete escolhidos para servir os pobres (cf. At 6,1-7, que meditaremos no Domingo 10). São Paulo amplia o sentido deste ministério atribuindo-o a diversos dos líderes das primeiras comunidades (cf. Fl 1,1; 1Tm 3,8-12). Na carta ao seu grande colaborador Timóteo, Paulo elenca uma série de características que devem fazer parte do perfil de quem assume este serviço, por exemplo “ser dignos, homens de palavra, não propensos ao excesso de bebidas nem a lucros desonestos; e conservem o mistério da fé numa consciência pura” (1Tm 3,8). Na mesma carta afirma que “aqueles que exercem bem o seu ministério alcançam uma posição honrosa e uma firme confiança, fundada sobre a fé em Cristo Jesus” (1Tm 3,13).
Na segunda parte do Catecismo da Igreja Católica (“A celebração do ministério cristão”) podemos aprofundar o tema do diaconato. Ao tratar dos Sacramento (2a Seção), especificamente sobre os Sacramentos ao serviço da Comunhão (Capítulo terceiro), o Catecismo explica o Sacramento da Ordem (Artigo 6) e a partir do número 1569 aborda o tema da Ordem do Diácono, que pode ser de dois tipos: permanente ou como um estágio para a ordenação presbiteral (segundo grau da Ordem, cujo terceiro grau é a ordenação episcopal). Ali lemos que “entre outros serviços, pertence aos diáconos assistir o bispo e os sacerdotes na celebração dos divinos mistérios, sobretudo da Eucaristia, distribuí-la, assistir ao Matrimónio e abençoá-lo, proclamar o Evangelho e pregar, presidir aos funerais e consagrar-se aos diversos serviços da caridade” (CIC, n. 1570). 
No parágrafo seguinte (n. 1571) lemos que: “a partir do II Concílio do Vaticano, a Igreja latina restabeleceu o diaconato «como grau próprio e permanente da hierarquia» (LG 29), enquanto as Igrejas do Oriente o tinham sempre mantido. Este diaconato permanente, que pode ser conferido a homens casados, constitui um enriquecimento importante para a missão da Igreja. Com efeito, é apropriado e útil que homens, cumprindo na Igreja um ministério verdadeiramente diaconal, quer na vida litúrgica e pastoral, quer nas obras sociais e caritativas, «sejam fortificados pela imposição das mãos, transmitida desde os Apóstolos, e mais estreitamente ligados ao altar, para que cumpram o seu ministério mais eficazmente por meio da graça sacramental do diaconato» (AG 16).”
Recentemente, de modo especial durante a celebração dos Sínodo dos Bispos sobre a região Amazônica, o tema do diaconato esteve em destaque, muitas vezes porém por causa de uma má compreensão do seu significado e importância na Igreja. Polemizou-se muito sobre a possibilidade de elevar ao grau do presbiterado alguns diáconos permanentes casados, conforme proposta presente no Documento final, n. 111, que depois prudentemente o Papa deixou de fora da exortação “Querida Amazônia”. Gostaria de ressaltar aqui no entanto a verdadeira importância do diácono, expresso no mesmo Sínodo (cf. Documento final, nn. 104 ss): “Para a Igreja Amazônica é urgente a promoção, formação e apoio aos diáconos permanentes por causa da importância deste ministério na comunidade, de modo particular, pelo serviço eclesial que muitas comunidades requerem. As necessidades pastorais específicas das comunidades cristãs amazônicas nos levam a uma compreensão mais ampla do diaconato, serviço que (...) hoje deve também promover a ecologia integral, o desenvolvimento humano, a pastoral social, o serviço dos que se encontram em situação de vulnerabilidade e pobreza, configurando-o ao Cristo Servo, tornando-se uma Igreja misericordiosa, samaritana, solidária e diaconal.”
Substituindo a expressão “Igreja amazónica” por “Igreja brasileira” ou “Igreja universal” veremos mais claramente o quão necessário são os diáconos hoje, como “sinal vivificante para toda a Igreja”. Que esta motivação oriente e anime a nossa oração durante este mês de maio. 

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