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Atenção aos jovens


Neste mês de dezembro o Papa Francisco convida novamente toda a Igreja a rezar pelos jovens, de modo particular “para que cada país tome as medidas necessárias para fazer do futuro dos mais jovens uma prioridade, sobretudo daqueles que estão sofrendo”.
Há pouco mais de um ano a Igreja viveu um momento muito intenso e significativo de reflexão sobre a realidade juvenil mundial. O Sínodo dos Bispos sobre “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” foi verdadeiramente um tempo de graça, no qual a Igreja universal parou para escutar os jovens, as suas expectativas e desejos, os seus sonhos e alegrias, as suas ansiedades e inquietações... Foi um momento especial, no qual os jovens puderam manifestar o seu modo de ver o mundo e de viver a fé. O seu modo de interpretar e testemunhar Cristo e o Evangelho. 
O Documento Final do Sínodo é rico de sugestões, e ainda mais iluminante e inspiradora é a exortação apostólica pós-sinodal, Christus vivit, na qual o Papa convida a todos, não só os jovens, a “rejuvenescer” a fé e o testemunho no mundo: “Cristo é a nossa esperança e a mais bela juventude deste mundo! Tudo o que toca torna-se jovem, fica novo, enche-se de vida” (CV n. 1). Francisco encoraja os jovens a serem Cristo vivo no mundo, aprofundando o seu compromisso social e fazendo-se ouvir a sua voz, mesmo que os líderes políticos e eclesiais não os queiram ouvir.
A intenção de oração deste mês toca de maneira particular neste aspecto. Cada nação deve garantir, através das suas leis e políticas, que o jovem tenha condições para estudar, crescer, conquistar um trabalho, um lar, uma família... Deve garantir as condições mínimas para que o jovem consiga conquistar a sua felicidade e realização. Os líderes políticos (e também os líderes religiosos) devem dar uma atenção especial aos jovens, pois, como insiste o Papa na exortação, eles são o presente e não apenas o futuro. Eles tem muitos a contribuir com o crescimento da Igreja e de cada estado.
Os jovens estão mudando o mundo, especialmente através do modo como utilizam as novas tecnologias, por isso devem ser uma “prioridade”. Devem ser tratados com grande atenção. Neste sentido, cada nação e cada igreja local deve garantir que os jovens sejam protagonistas e não apenas destinatários da missão e da evangelização. Devem ser “sujeitos” na sociedade e na Igreja, e não apenas objeto ou simples receptores. A criatividade dos jovens deve ser valorizada e explorada, no bom sentido, pois eles são capazes de trazer vida nova ao mundo e à Igreja. 
Os jovens são exortados a levantar-se e sair apressadamente, como Maria. Ao anunciar o tema das próximas Jornadas Mundiais da Juventude – “Maria levantou-se e partiu apressadamente” (Lc 1,39) –, que serão celebradas em Lisboa, no ano 2022, o Papa insistiu para que os jovens se levantem, se mexam, se coloquem em movimento e a caminho... O anúncio foi feito há alguns meses, no final de um Fórum internacional de jovens em Roma. Naquela ocasião o Papa insistiu para que os jovens “sejam testemunhas daquilo que veem”, do Cristo que encontram, do evangelho que escutam. Assim Francisco estimulou os jovens: “Desejo que haja uma grande sintonia entre o percurso rumo à JMJ de Lisboa e o caminho pós-sinodal. Não ignoreis a voz de Deus que vos impulsiona a levantar e seguir a estrada que Ele preparou para vocês. Como Maria e com Maria, sejam a cada dia os portadores da Sua alegria e do Seu amor. Maria se levantou e caminhou apressadamente. E com pressa foi visitar a sua prima. Sempre prontos, sempre com pressa, mas nunca ansiosos.”
Para que isso se concretize, “cada país tome as medidas necessárias para fazer do futuro dos mais jovens uma prioridade, sobretudo daqueles que estão sofrendo”... Nesta intenção rezemos durante este mês, no qual esperamos o maior de todos os jovens, Jesus Menino.
Bom advento e boa preparação para o Natal a todos!  

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