A liturgia da palavra
deste II domingo do advento convida-nos a refletir sobre a esperança e os diferentes
caminhos que Deus nos indica para chegarmos a Ele.
Na primeira leitura,
do livro de Isaías, vemos como Deus fala através dos profetas. O profeta é o
intermediário que transmite ao povo a Palavra de Deus. Isaías é enviado para
consolar o povo que sofre no exílio da Babilónia. Longe da sua terra, Israel sente também que está longe de Deus, que está abandonado, que Deus
afastou-se do seu povo escolhido. Isaías é enviado para dar esperança a este
povo e mostrar que o Senhor virá com poder. Virá como pastor para apascentar o
rebanho e reunir os que estão dispersos. Virá como pastor que toma o cordeiro
nos seus braços e conduz as ovelhas para o descanso. Mas para que Deus possa
agir no meio do povo é preciso que se prepare um caminho. Esta é uma imagem
simbólica que mostra a necessidade de acolhermos Deus no nosso meio. Precisamos
dar espaço para Deus, limpar as estradas para que ele possa chegar até onde
estamos.
Esta ideia é
reafirmada por Pedro, na segunda leitura. Ele deixa claro que precisamos estar
preparados para a segunda vinda do Senhor, a Parusia. Não sabemos o dia
nem a hora, mas devemos nos empenhar para promover a justiça e a paz no mundo,
pois é assim que Deus se faz presente no meio de nós. Deus age em nós,
manifesta-se no mundo através das nossas acções e do nosso testemunho. Deus
está sempre pronto a salvar, perdoar, acolher, a vir ao nosso encontro, mas é
paciente e espera que nós também estejamos prontos para acolhê-lo na nossa
vida. Que estejamos prontos para a conversão e a vida nova.
João Batista foi é
personagem muito importante neste processo de preparação do povo para acolher o
Senhor. Era humilde e santo, sempre coerente, não havendo diferença entre o que
pregava e como vivia. O seu batismo de penitência preparou muitos fiéis para o
batismo no Espírito trazido por Cristo. O excerto do evangelho que lemos neste
domingo é o início do evangelho de Marcos. A maior preocupação deste evangelista é
mostrar quem é Jesus e qual o caminho que devemos seguir para encontrá-lo e
segui-lo. Este caminho parte sempre do deserto, local simbólico que expressa a
penitência e a exigência da caminhada, ao mesmo tempo que recorda o êxodo e os
profetas.
No conjunto da
liturgia deste domingo temos um belo painel da história da salvação na
perspectiva da esperança. Deus é quem prepara e apresenta os caminhos de
esperança que o seu povo tem de trilhar. Mas nunca deixa-nos sós. Isso é o que
vemos nos caminhos de esperança para o povo que viva no exílio da Babilónia, com
a mediação de Isaías. João foi quem auxiliou a preparar os caminhos de
esperança para o povo oprimido pelo legalismo judeu, pela injustiça social e
pelo Império Romano. Pedro anima a sua comunidade ao apontar os caminhos de
esperança para as primeiras comunidades que aguardavam a Parusia. E nós hoje,
quais são os caminhos de esperança que nos são preparados?
Nos evangelhos vemos
muitas vezes Jesus a apresentar-se e a manifestar-se como o bom pastor. Todos
os caminhos são para acolher este bom pastor nas nossas vidas. Que nesta
preparação para o Natal, a chegada do Menino Jesus, cada cristão consiga
trilhar o seu caminho de esperança e sentir profundamente que Deus está sempre
a agir no mundo e na nossa vida.

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