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Epifania


Olá. Neste domingo celebramos a solenidade da epifania do Senhor. Epifania significa “manifestação” ou “revelação”. Revelação definitiva de Deus aos homens através de Seu Filho encarnado. Jesus é o verdadeiro Deus, verdadeiro Senhor e Rei, o Messias esperado por séculos e anunciado pelos profetas.
A epifania faz-nos recordar e fortalecer a esperança que vem de Deus, representada nos reis magos, que se opõe radicalmente à ganância e ao desejo de poder do mundo, representado na figura de Herodes.
Os textos bíblicos que hoje lemos trazem muitos símbolos e devem ser interpretados em todos os seus pormenores. Na primeira leitura temos um belo poema de Isaías que canta o triunfo da luz em Jerusalém. Estamos num contexto de pós-exílio. Os judeus voltam a Jerusalém, mas sentem imensas dificuldades em recontruir a cidade. Isaías convida a cidade a erguer-se e resplandecer, pois é Deus quem a sustenta. É uma motivação e um convite à transformação, à vida nova.
O texto do evangelho de Mateus apresenta uma cena muito popular. Os magos que vão ao encontro de Jesus para adorá-lo e dar-lhe presentes. O relato procura mostrar quem é o verdadeiro rei dos judeus. Não Herodes, mas Jesus. Não um poderoso, mas o humilde menino. Não podemos esquecer que este relato não é uma crónica histórica, uma notícia jornalística. É sim um relato de fé, uma releitura, uma interpretação livre e com um fim específico: educar para a fé. É o que os estudiosos chamam de midrash. E como tal, traz muito símbolos interessantes. Primeiro está a referência aos textos do antigo testamento, como a profecia de Miqueias que dizia que “de Belém sairá aquele que há de ser o chefe de Israel”. De lá saiu David e sairá seu descendente esperado, o Messias. Eis aqui a verdadeira epifania, a manifestação do Salvador ao mundo.
Os magos simbolizam os que aceitam o poder de Deus e a abertura da salvação aos não-judeus. Os presentes que os magos trazem foram interpretados pelos santos padres como a realeza, a divindade e a paixão de Cristo. E não podemos deixar de ver a estrela como o caminho que devemos trilhar, a luz de Deus que nos guia, e também a esperança que nos incentiva a viver a fé e a caridade mais intensamente. A estrela guia todos os que buscam a transformação, os que buscam uma vida nova. Todos os que se opõe à opressão que surge do sistema liderado pelo poder sem escrúpulos simbolizado no rei Herodes.
A liturgia da epifania procura nos mostrar que o nascimento de Jesus traz uma grande novidade. É o próprio Deus que se torna homem para salvar a humanidade. É a abertura da salvação a todos, é uma nova aliança, não mais com o povo hebreu, mas agora com toda a humanidade.
Isso é o que Paulo mostra aos efésios. O projecto de Deus é para todos, abre-se a todos, acolhe a todos. Jesus torna todos herdeiros, filhos de Deus. Ninguém é excluído do seu corpo. Todos os que desejarem podem fazer parte do povo de Deus, que toma forma concreta na Igreja.
Os que aceitam são convidados a seguir a estrela, a luz, e prestarem louvor ao menino Jesus. Existem diversas maneiras de se prestar tal louvor. O primeiro é através da oração, mas também através do compromisso com a sua comunidade e as necessidades presentes nela. A Epifania revela a bondade de Deus que salva a todos. Em contrapartida, exige que todos nós mostremos a nossa bondade através de acções concretas, dos bons relacionamentos, da vivência das virtudes, do apoio mútuo, do seguimento sincero. Este é o melhor presente que hoje podemos oferecer ao menino Jesus. Melhor do que ouro, incenso ou mirra.

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