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Liberdade religiosa

Neste mês de janeiro o Papa confia-nos a seguinte intenção de oração: “Para que, nos países asiáticos, os cristãos, assim como as outras minorias religiosas possam viver a sua fé com toda a liberdade.” Uma necessidade urgente e atual devido às constantes perseguições contra os cristãos em diversos países do Oriente.
O crescente extremismo religioso, particularmente aquele islâmico, tem gerado imensos problemas e dificuldades para a vivência da fé cristã em diversos países. Em muitos casos chega-se ao extremo da punição com a destruição de igrejas e a morte de fiéis, uma forma contemporânea de martírio, como tem ressaltado inclusive o Papa Francisco em diversas mensagens nas quais pede a paz e a liberdade religiosa. No ano que apenas terminamos muitos foram os casos tristes e dolorosos de perseguição e morte dos nossos irmãos católicos e de outras denominações cristãs em países do Oriente Medio, mas também em países onde se esperava maior serenidade, como nas Filipinas e China. Devemos estar em sintonia com todos estes irmãos cristãos que sofrem, dando-lhes o nosso apoio e especialmente através da oração, como nos pede o Papa.
Felizmente não são apenas casos de perseguição que vemos na Ásia. No ano 2017 tive a oportunidade de visitar a Coreia do Sul e o Japão em visitas missionárias às comunidades paulistas que ali atuam. Fiquei muito contente em ver o grande fervor religioso que existe, especialmente na Coreia do Sul. O primeiro grande impacto é ver numa grande metrópole como é Seul uma imensidão de igrejas, com cruzes de luz néon que se destacam na noite. Em qualquer direção que olhamos vemos cruzes, de diversas cores e tamanhos. Uma cena curiosa num país onde eu pensava totalmente secularizado. Apesar de o catolicismo representar apenas cerca de 10% da população, temos outros 18% que professam o cristianismo nas diversas denominações protestantes. Isso faz com que surjam muitas igrejas pela cidade. Pequenos templos, mas que se destacam em meio aos arranha céus modernos e futuristas.
Como normalmente acontece onde os cristãos são minorias, a fé dos coreanos é muito forte, intensa, vivida com profundidade e constância. Prova disso é o grande número de vocações naquele pequeno país. A diocese de Seul, por exemplo, tem cerca de 20 novas ordenações a cada ano. Raramente se vê ali o famoso “católico não praticamente”, comum no nosso país e na realidade ocidental.
O mesmo acontece no Japão, onde o fervor na vivência da fé é grande, mas, ao contrário da Coreia, raramente vemos igrejas cristãs e poucas são as vocações religiosas e sacerdotais. De qualquer maneira, fiquei igualmente surpreendido ao ver tantíssimos templos, budistas e xintoístas disputando espaço com a cidade moderna e os seus prédios sempre mais tecnológicos. É impressionante ver como a fé continua a ter destaque, resistindo ao forte ateísmo que caracteriza aqueles dois países: 46,5% da população da Coreia e 70% dos japoneses se declara sem religião. Ali não temos uma perseguição religiosa, apesar de ter ouvidos relatos de uma intolerância religiosa que por vezes causa mal estar e conflitos, algo muito semelhante ao que se vive na Europa hoje, onde se diz haver total liberdade religiosa, mas que na prática existem diversas formas subtis de opressão e perseguição.
Ao longo deste mês de janeiro, temos várias oportunidades para intensificar a oração pelos irmãos asiáticos que testemunham a sua fé como minorias oprimidas e perseguidas, em meio a tantas outras denominações religiosas e ao crescente ateísmo. O primeiro grande momento é logo no dia 1, quando celebramos o dia mundial da Paz. Meditar pessoal e comunitariamente a mensagem do Santo Padre para esta ocasião é uma excelente forma de recordar dos nossos irmãos perseguidos. Depois, dos dias 18 a 25, temos a Semana de Oração pela Unidade dos Cristão, este ano com o tema: “A Tua direita, Senhor, é gloriosa de poder” (Ex 15,6), outra forma de rezarmos pela comunhão entre todos os crentes e pelo fim de qualquer competição ou rivalidade que provoca dores e certamente não faz parte do plano de Deus.

Boa oração e bom ano a todos!

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