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Vós sois a luz do mundo!


O mundo precisa de luz. Não da luz do sol, nem da luz eléctrica. Estas “luzes” temos em abundância. Muitas vezes mal aproveitadas, mas as temos em abundância. Carecemos sim da luz que aponta direcções, que orienta, que traz alegrias, que inspira. A luz que é símbolo de muitas coisas belas e boas. Da luz que faz surgir ideias, que provoca momentos de exaltação, que estampa sorrisos nos nossos rostos. E carecemos ainda mais da luz divina, que conduz pelos caminhos da verdade e da vida, que enche-nos de esperança e motivação.
Neste mês celebramos a Apresentação do Senhor no Templo. Esta pode ser chamada a festa da luz. De facto, é neste diz que celebramos a memória de Nossa Senhora da Luz e também Nossa Senhora da Candelária, ou das Candeias, muito ligada a este simbolismo da luz. Estes títulos estão originalmente associados às velas que costuma-se levar na procissão que faz parte da liturgia da Apresentação, mas principalmente às palavras de Simeão que, ao receber o menino em seus braços, bendisse a Deus e exclamou: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo» (Lc 2, 29-32).
Durante a Sua vida pública, o próprio Jesus vai caracterizar-se como a luz do mundo (cf. Jo 8,12), mas já no momento da Sua Apresentação sabemos que traz algo especial, algo que vai transformar a nossa vida. Simeão e Ana são os nossos representantes neste momento e dão testemunho do que sentem. A mesma experiência vivida por estes dois anciãos, justos e piedosos, como nos diz o texto de Lucas, é vivida por cada um de nós no momento do nosso baptismo. A luz de Cristo penetra-nos, toca o mais íntimo do nosso ser, transforma-nos. Nascemos para uma vida nova, “iluminada”.
A partir do baptismo também nós nos tornamos luz do mundo. O próprio Cristo afirma isso em Mateus 5,14: «Vós sois a luz do mundo». E diz mais: «Ninguém acende uma lâmpada para a colocar debaixo de uma vasilha, mas sim para a colocar no candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão na casa» (Mt 5,15). Vemos assim que a luz divina é um dom, mas é também um compromisso. Se estamos cheios de luz, se somos luz, não podemos nos esconder, ou utilizar esta luz apenas para iluminar a nós próprios. Precisamos iluminar tudo o que está ao nosso redor.
«Que a vossa luz brilhe diante dos homens, para que eles vejam as boas obras que fazeis e louvem o vosso Pai que está nos céus», afirma Jesus (Mt 5,16). Se cada cristão seguisse esta indicação de Jesus, certamente o mundo não precisaria tanto de luz, certamente viveríamos num mundo melhor, reflexo do Reino de Deus. A vida cristã é muito mais do que uma série de ritos. Ela é um estilo de vida, que penetra todos os âmbitos da nossa vida: social, profissional, familiar etc.
Para nos auxiliar, podemos recordar o texto da leitura da festa da Apresentação. Malaquias afirma que Deus está no meio de nós quando o procuramos com as mãos e o coração comprometidos com a justiça e a caridade. Deus está connosco quando fazemos o bem, quando somos generosos, altruístas, comprometidos com o próximo. E não é o desejo de todos sermos acompanhados por Deus, termos Deus na nossa vida? Para que isso se concretize também temos que dar a nossa parte.
Reflicta sobre este tema. Deus está no nosso meio? Está nas nossas casas, na nossa paróquia, em mim? O que eu preciso fazer para que a Sua luz resplandeça em mim, ou para que a luz que recebi no meu baptismo realmente ilumine o mundo e as pessoas? Se o mundo continua a precisar de luz, em parte é porque os cristãos não estão suficientemente empenhados em dar testemunho e em viver o evangelho como Jesus ensinou. Que ao celebrar a festa da luz, sejamos novamente iluminados e impelidos a uma acção mais coerente com a fé que professamos. Que sejamos verdadeiramente luz do mundo.

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